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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

REVISTA O REFORMADOR



Em O Livro dos Médiuns, capítulo XXIV, a identidade dos Espíritos comunicantes é detalhadamente analisada por Allan Kardec em 14 itens e 54 respostas, transmitidas pelos Espíritos orientadores da Codificação Espírita.Muitas mistificações e dúvidas a respeito do assunto poderiam ser evitadas se os espíritas, sobretudo os médiuns, estudassem com mais afinco as considerações que constam do capítulo, mesmo que o Codificador tenha dito: “A questão da identidade dos Espíritos é uma das mais controvertidas, mesmo entre os adeptos do Espiritismo”.1 É exatamente por isso que deve merecer maiores cuidados e ponderações pelo espírita esclarecido:

[...] De fato, os Espíritos nãonos trazem uma carteira de identidade e sabe-se com que facilidade alguns dentre eles tomam nomes que nunca lhes pertenceram. Justamente por isso, esta questão de identidade é, depois da obsessão, uma das maiores dificuldades que apresenta o Espiritismo prático. Todavia, em muitos casos, a identidade absoluta não passa de questão secundária e sem importância real.1

Seguindo a ordenação dos conteúdos desenvolvidos no capítulo, percebemos que dois pontos devem ser discriminados, como o fazemos em seguida.

1. Provas possíveis de identidade

De forma abrangente, “julgam- se os Espíritos, como os homens, pela sua linguagem. Se um Espírito se apresenta com o nome de Fénelon, por exemplo, e diz trivialidades e puerilidades, está claro que não pode ser ele”.2 Outras provas podem ser incluídas na identificação do comunicante:

[...] a semelhança da caligrafia e da assinatura. Mas, além de nem todos os médiuns serem capazes de obter esse resultado, ele não representa, invariavelmente uma garantia suficiente. Há [também] falsários no mundo dos Espíritos [...].3

A identificação de Espíritos “é muito mais fácil de ser comprovada quando se trata de Espíritos contemporâneos, cujos hábitos e características são conhecidos, porque são justamente esses hábitos, de que ainda não tiveram tempo de abandonar, que nos permitem reconhecê-los, constituindo isso um dos sinais mais seguros de identidade”.4

Enquanto se recusam a responder a perguntas pueris e extravagantes, que qualquer pessoa teria escrúpulos em lhes dirigir, se fossem vivos [encarnados], os Espíritos, por outro lado, não se negam a dar espontaneamente provas irrecusáveis de sua identidade, por seus caracteres, que se revelam na linguagem de que usam, pelo emprego de palavras que lhes eram familiares, pela citação de certos fatos, de particularidades de suas vidas, às vezes desconhecidas dos assistentes e cuja exatidão se pode verificar. As provas de identidade se destacam, além disso, de um sem-número
de circunstâncias imprevistas, que nem sempre se apresentam na primeira ocasião, mas que surgem com a continuação das manifestações.Convém, pois, esperá-las, sem as provocar, observando-se cuidadosamente todas as que possam resultar da natureza das comunicações.5

Situação diversa ocorre com a identificação de Espíritos que viveram em outras épocas, principalmente os que carecem de referências biográficas:
A identidade dos Espíritos das personagens antigas é a mais difícil de se conseguir, tornando-se muitas vezes impossível mesmo, de modo que ficamos
limitados a uma apreciação puramente moral.[...].6

2. Distinção entre os Espíritos bons e os maus 


A identidade dos Espíritos pode se revelar, contudo, como aspecto secundário. Por exemplo, quando nos são transmitidas “instruções gerais, pois os melhores Espíritos podem substituir-se mutuamente, sem maiores consequências”.7
[...]Os Espíritos superiores formam, por assim dizer, um todo coletivo, cujas individualidades nos são, com raras exceções, completamente desconhecidas. O que nos interessa não é a pessoa deles, mas o ensino que nos proporcionam.
Ora, se o ensino é bom, pouco importa que aquele que o deu se chame Pedro, ou Paulo. Devemos julgá-lo pela sua qualidade e não pelas suas insígnias. [...]7

Importa considerar também que,

à medida que os Espíritos se purificam e se elevam na hierarquia, as características distintivas de suas personalidades se apagam, de certo modo, na uniformidade da perfeição; nem por isso, entretanto, deixam de conservar as suas individualidades.8

Tais condições nos fazem ver quanto é importante saber distinguir os bons Espíritos dos que ainda assinalam atraso espiritual.

[...] Os Espíritos realmente superiores não apenas só dizem coisas boas, como também as dizem em termos que excluem, de modo absoluto, qualquer trivialidade. Por melhores que sejam essas coisas, se forem manchadas por uma única expressão que denote baixeza, isto constitui um sinal indubitável de inferioridade, principalmente se o conjunto da comunicação chocar as conveniências pela sua grosseria. A linguagem revela sempre a sua origem, seja pelos pensamentos que traduz, seja pela forma, de modo que se um Espírito quiser iludir-nos sobre a sua pretensa superioridade, bastará conversarmos algum tempo com ele para a apreciarmos.9

Há mais: “A bondade e a benevolência são atributos essenciais dos Espíritos depurados”.10 Não revelam mágoas nem ódio; são solidários e gentis; lamentam as fraquezas humanas; só querem o bem e só dizem coisas boas, instrutivas. 10 Por outro lado, é preciso cautela na análise de mensagens
provenientes de Espíritos que demonstram possuir grandes conhecimentos:

A inteligência está longe de constituir um sinal seguro de superioridade, porque a inteligência e a moral nem sempre andam juntas. Um Espírito pode ser bom, afável, e ter conhecimentos limitados, ao passo que outro, inteligente e instruído, pode ser inferior em moralidade.11

Os itens 267 e 268, capítulo XXIV, de O Livro dos Médiuns, complementam este estudo, pois trazem uma síntese dos meios para reconhecer as qualidades e a natureza dos Espíritos comunicantes. Sugerimos a leitura atenta. Todavia, destacamos que é preciso ter muito cuidado quanto às informações e teorias transmitidas por Espíritos de pouca ou de mediana evolução que, a despeito de não serem maus, necessariamente, ainda não possuem as qualidades dos bons Espíritos: as suas ideias devem ser consideradas, então, mera opinião, jamais verdade absoluta, como esclarece São Luís, prudentemente:

Qualquer que seja a confiança legítima que vos inspirem os Espíritos que presidem aos vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveríeis ter presente sempre na vossa lembrança, quando vos entregais aos vossos estudos: é a de pesar, meditar e submeter ao controle da razão mais severa todas as comunicações que receberdes; é a de não deixardes de pedir as explicações necessárias, a fim de que possais formar uma opinião segura, toda vez que um ponto vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro.12

Referências

1KARDEC, Allan. O livro dos médiuns.
Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de
Janeiro: FEB, 2009. Cap. 24, it. 255,
p. 411.
2______. ______. It. 255, p. 412.
3______. ______. It. 260, p. 417.
4______. ______. It. 257, p.414-415.
5______. ______. It. 258, p.415-416.
6______. ______. It. 255, p. 411-412.
7______. ______. It. 256, p. 414.
8______. ______. p. 412.
9______. ______. It. 263, p. 419-420.
10______. ______. It. 264, p. 420.
11______. ______. It. 265, p. 420.
12______. ______. It. 266, p. 421-422.

PAPEL DO ESPIRITISMO


A TRANSIÇÃO
PARA A NOVA ERA
E O

Matérias publicadas em Reformador:
outubro, novembro e dezembro de 2010“Também ouvireis falar de
guerra e de rumores de guerra;
tratai de não vos perturbardes,
porquanto é preciso que estas coisas aconteçam: mas, ainda não será
o fim – pois se verá povo levantar-se contra povo e reino contra
reino; e haverá pestes, fomes e
tremores de terra em diversos
lugares – todas essas coisas serão
apenas o começo das dores. (São
Mateus, 24:6 a 8).”
1
O reinado do bem poderá implantar-se algum dia na Terra?
“O bem reinará na Terra quando, entre os Espíritos que a vêm
habitar, os bons predominarem,
porque, então, farão que aí reinem o amor e a justiça, fonte do
bem e da felicidade. É pelo progresso moral e pela prática das
l e i s  de  Deus  que  o homem
atrairá para a Terra os Espíritos
bons   e  de l a   a f a s t a r á  os  maus .
Estes, porém, só a deixarão quando o homem tiver banido daí o
orgulho e o egoísmo.”
2
“P. – O que a Doutrina Espírita pode dizer a respeito do fim
dos tempos, isto é, como ocorrerá a transformação do planeta
em planeta de provas e expiações
para de regeneração?
R. – Através da busca da espiritualização, superação das dores
e construção de uma nova sociedade, a Humanidade caminha para
a regeneração das consciências.
[...] Cabe, a cada um, longa e árdua tarefa de ascensão. Trabalho
e amor ao próximo com Jesus, este
o caminho.”
3
Introdução
A mídia tem apresentado, com
intensidade, informações sobre episódios dolorosos e preocupantes
para as pessoas.
Ante inquietudes, incertezas,
inseguranças, decepções e o vazio
existencial, a Doutrina Espírita
tem potencial inesgotável para
oferecer respostas, apoio e roteiros seguros.
É chegado o momento do Espiritismo cumprir seu papel:
“[...] o Consolador, que é o
Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará
todas as coisas e vos fará recordar
tudo o que vos tenho dito. (São
João, 14: 26)”.
4
Na literatura espírita é possível
perceber o momento de transição
que se vive e captar as orientações
que emanam da Espiritualidade,
como, por exemplo, nos textos
citados abaixo:
Os tempo são chegados
Allan Kardec destaca em  A
Gênese: “Dizem-nos de todas as
partes que são chegados os tempos marcados por Deus, em que
grandes acontecimentos se vão dar
para regeneração da Humanidade”,
5
no que é corroborado por
São Luís, em O Livro dos Espíritos, quando alerta aos homens:
Transição para a
Nova Era
*
*
N. da R.: Primeiro de uma série de três
artigos, sobre a mesma temática, elaborados pela equipe da Secretaria-Geral do
Conselho Federativo Nacional da FEB.
O u t u b r o   2 0 1 0   •   R e f o r m a d o r 3 29“Aproximai-vos do momento em
que se dará a transformação da
Humanidade, transformação que
foi predita e cuja chegada é acelerada por todos os homens que
auxiliam o progresso”.
2
Já em Obras Póstumas, há significativo registro do diálogo do
Codificador com o Espírito de
Verdade, relacionado com esses
avisos:
“P. – Os Espíritos disseram
que são chegados os tempos em
que tais coisas têm de acontecer;
em que sentido se devem tomar
essas palavras?
R. – Em se tratando de coisas
de tanta gravidade, que são alguns
anos a mais ou a menos? Elas
nunc a  ocor  rem br us c amente ,
como o chispar de um raio; são
longamente preparadas por aconte  c imentos  pa rc i a i s  que   lhe s
servem como que de precursores, semelhantes aos rumores
surdos que precedem a erupção
de um vulcão. Pode-se, pois, dizer que os tempos são chegados, sem que isso signifique que
a s   co i s a s   suce de r ão  amanhã .
Significa unicamente que vos
achais no período em que elas
se verificarão.
P. – Confirmas o que foi dito, isto é, que não haverá cataclismos?
R. – Sem dúvida, não tendes
que temer nem um dilúvio, nem
o abrasamento do vosso planeta, nem outros fatos desse gênero, visto que não se pode denominar cataclismos a perturba-
ções locais que se têm produzido em todas as épocas. Apenas
haverá um cataclismo de natureza moral, cujos instrumentos
serão os próprios homens”.
6
A nova geração
No contexto da transição para
uma Nova Era, são importantes e
pertinentes as ideias sobre a nova
geração desenvolvidas por Allan
Kardec, em A Gênese:
“A nova geração marchará, pois,
para a realização de todas as ideias
humanitárias compatíveis com o
grau de adiantamento a que houver chegado. Avançando para o
mesmo alvo e realizando seus objetivos, o Espiritismo se encontrará
com ela no mesmo terreno. Os homens progressistas descobrirão
nas ideias espíritas, uma poderosa
alavanca e o Espiritismo achará,
nos novos homens, Espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo. [...]
[...]
A época atual é de transição; os
elementos das duas gerações se
30 4 R e f o r m a d o r •   O u t u b r o   2 0 1 0          confundem. Colocados
no ponto intermediário,
assistimos à partida de
uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelas
características que lhes
são peculiares.
As duas gerações que
se sucedem têm ideias e
pontos de vista opostos.
Pela natureza das disposi-
ções morais, e, sobretudo,
das disposições intuitivas e inatas, torna-se fácil distinguir a
qua l  da s  dua s  p e r  tence   c ada
indivíduo.
Cabendo-lhe fundar a era do
progresso moral, a nova geração
se distingue por inteligência e
razão geralmente precoces, aliadas ao sentimento inato do bem
e a crenças espiritualistas, o que
constitui sinal indubitável de
certo grau de adiantamento anterior. Não se comporá de Espí-
ritos eminentemente superiores,
mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as ideias progressistas e estejam aptos a secundar o
movimento de regeneração.
[...]
Opera-se presentemente um
desses movimentos gerais, destinados a realizar uma remodelação
da Humanidade. A multiplicidade
das causas de destruição constitui
sinal característico dos tempos,
pois que elas apressarão a eclosão
dos novos germens [...]”.
7
Esses esclarecimentos poderão
levar alguma inquietação às pessoas sobre os destinos de muitos
Espíritos, mas Jesus, como nosso
Mestre e Guia, deixou claro que
ninguém ficará desamparado, como explicita na parábola da “Ovelha Perdida” (Lucas, 15:1-7).
Referências:
1
KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Evandro
Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2009.
Cap. 17, item 47.
2
______.  O livro dos espíritos.
Trad. Evandro Noleto Bezerra.
2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010.
Q. 1.019.
3
XAVIER, Francisco C.  Plantão
de respostas. Pinga Fogo II.
São Paulo:  Cul tura Espí r i ta
União, 1995. Cap. Condições do
Planeta (I), p. 35-36.
4
KARDEC, Allan.  O evangelho
segundo o espiritismo. Trad.
Evandro Noleto Bezer ra.   1 .
reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010.
Cap. 6, item 3.
5
______. A gênese. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2009.
Cap. 18, item 1.
6
______.  Obras póstumas. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro:
FEB, 2009. P. 2, A minha iniciação no
espiritismo, p. 364-365.
7
______.  A gênese.  Trad.  Evandro
Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB,
2009. Cap. 18, itens 24, 28, 34.
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Espírita.
Aos Colaboradores
O u t u b r o   2 0 1 0   •   R e f o r m a d o r 31transição para uma Nova
Era está inserida em um
Planejamento Divino. No
caminho podem ocorrer transes
físicos, espirituais, psíquicos, polí-
ticos e sociais. A Espiritualidade
tem propiciado alertas e orienta-
ções continuadas, mas mantendo
a tônica do apoio e do consolo.
O Codificador inseriu nas obras
básicas mensagens espirituais e fez
comentários preciosos sobre o cumprimento da Lei do Progresso.
Mensageiros espirituais prosseguem até nossos dias a nos oferecer
orientações sobre os momentos de
transição que estamos vivendo.
Acompanhemos alguns destaques
de assertivas e esclarecimentos emanados da Espiritualidade superior.
O Espírito Santo Agostinho, em
O Evangelho segundo o Espiritismo,
comenta que “o progresso é uma
das leis da Natureza. Todos os seres da Criação, animados e inanimados, estão submetidos a ele pela
bondade de Deus, que deseja que
tudo se engrandeça e prospere. A
própria destruição, que parece aos
homens o termo das coisas, é apenas
um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito,
visto que tudo morre para renascer
e nada sofre o aniquilamento.
Ao mesmo tempo que os seres
vivos progridem moralmente, os
mundos que eles habitam progridem materialmente. [...]” e, “[...]
a Terra esteve material e moralmente num estado inferior ao em
que hoje se acha, e atingirá, sob
esse duplo aspecto, um grau mais
elevado. Ela chegou a um dos seus
períodos de transformação, em que,
de mundo expiatório, tornar-se-á
mundo regenerador. Os homens,
então, serão felizes na Terra, porque
nela reinará a lei de Deus”.
1
Allan Kardec, em A Gênese, tece
considerações sobre o tema em
diversos capítulos, sendo oportuna
a transcrição das seguintes afirma-
ções dos Espíritos:
“O progresso da Humanidade se
efetua, pois, em virtude de uma lei.
Ora, como todas as leis da Natureza são obra da eterna sabedoria
e da presciência divina, tudo o que é
efeito dessas leis resulta da vontade
de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma
vontade imutável. Quando, por
conseguinte, a Humanidade está
madura para subir um degrau,
pode-se dizer que os tempos marcados por Deus são chegados, como
se pode dizer também que, em tal
estação, eles chegam para a maturação dos frutos e sua colheita.
[...]
[...] a Humanidade tem realizado incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-
-estar material. Resta-lhes, ainda, um
imenso progresso a realizar: fazerem
que reinem entre si a caridade, a fraternidade e a solidariedade, que lhes
assegurem o bem-estar moral. [...]
[...]
À agitação dos encarnados e
desencarnados se juntam, por vezes e mesmo na maioria das vezes,
já que tudo se conjuga, na Natureza, as perturbações dos elementos
físicos [...].
É no período que ora se inicia
que o Espiritismo florescerá e dará
frutos. É, pois, para o futuro, mais
que para o presente, que trabalhais;
mas era necessário que esses trabalhos fossem elaborados previamente, porque preparam as vias da regeA
A transição e o caminho
para a Nova Era
*
*
N. da R.: Segundo de uma série de três
artigos, sobre a mesma temática, elaborados pela equipe da Secretaria-Geral do
Conselho Federativo Nacional da FEB.
N o v e m b r o   2 0 1 0   •   R e f o r m a d o r 7 33neração pela unificação e pela racionalidade das crenças. Felizes os
que os aproveitam desde hoje [...]”.
2
Em outra parte de A Gênese, o
Codificador insere mensagem do
Espírito Arago, aliás, muito esclarecedora:
“Num mesmo sistema planetário
todos os corpos que dele dependem
reagem uns sobre os outros; todas
as influências físicas aí são solidá-
rias, e não há um só dos efeitos, que
designais sob o nome de grandes
perturbações, que não seja a consequência da componente das influências de todo esse sistema.
[...]
A matéria orgânica não poderia
escapar a essas influências; as perturbações que ela sofre podem, então, alterar o estado físico dos seres
vivos e determinar algumas dessas
doenças que atacam de maneira
geral as plantas, os animais e os
homens. Como todos os flagelos,
essas doenças são para a inteligência humana um estimulante que a
impele, por necessidade, à procura
dos meios de as combater, e à descoberta das leis da Natureza.
[...]
Quando se vos diz que a Humanidade chegou a um período de
transformação, e que a Terra deve
elevar-se na hierarquia dos mundos,
não vejais nestas palavras nada de
místico, mas, ao contrário, a realização de uma das grandes leis fatais
do Universo, contra as quais se quebra toda a má vontade humana”.
3
Desde as obras psicográficas
iniciais de Francisco Cândido Xavier, estão presentes os temas sobre a evolução do planeta e suas
naturais transformações materiais
e espirituais.
O autor espiritual Emmanuel, na
obra A Caminho da Luz, alerta que
“aproxima-se o momento em que se
efetuará a aferição de todos os valores terrestres para o ressurgimento
das energias criadoras de um mundo novo [...]”.
4
Em outra parte da
mesma obra, pondera que “numerosas transformações são aguardadas e o Espiritismo esclarece os
corações, renovando a personalidade espiritual das criaturas para
o futuro que se aproxima.
[...]
Então a Terra, como aquele
mundo longínquo da Capela, ver-
-se-á livre das entidades endurecidas no mal [...]. Ficarão no mundo os que puderem compreender
a lição do amor e da fraternidade
sob a égide de Jesus, cuja misericórdia é o verbo de vida e luz, desde
o princípio”.
5
Emmanuel também discorre:
“[...] depois da treva surgirá uma
nova aurora. Luzes consoladoras
envolverão todo o orbe regenerado
no batismo do sofrimento. O homem espiritual estará unido ao
homem físico para a sua marcha
gloriosa no Ilimitado, e o Espiritismo terá retirado dos seus escombros materiais a alma divina das
religiões, que os homens perverteram, ligando-as no abraço acolhedor do Cristianismo restaurado.
34 8 R e f o r m a d o r •   N o v e m b r o   2 0 1 0Trabalhemos por Jesus, ainda que
a nossa oficina esteja localizada no
deserto das consciências”.
6
Já no final da obra Há Dois Mil
Anos, Emmanuel reproduz importante diálogo que provém do Alto,
o qual está relacionado com a etapa
do ciclo evolutivo em que vivemos:
“Sim! amados meus, porque o dia
chegará no qual todas as mentiras
humanas hão de ser confundidas
pela claridade das revelações do céu.
Um sopro poderoso de verdade e
vida varrerá toda a Terra [...].
[...]
Trabalharemos com amor, na
oficina dos séculos porvindouros,
reorganizaremos todos os elementos destruídos, examinaremos detidamente todas as ruínas
buscando o material passível de
novo aproveitamento e, quando
as instituições terrestres reajustarem a sua vida na fraternidade e
no bem, na paz e na justiça, depois da seleção natural dos Espíritos e dentro das convulsões renovadoras da vida planetária, organizaremos para o mundo um novo ciclo evolutivo, consolidando,
com as divinas verdades do Consolador, os progressos definitivos
do homem espiritual”.
7
Sobre esse aspecto, o Espírito Bezerra de Menezes comenta, em manifestação psicofônica recente, que
“Jesus está no leme e os seus arquitetos divinos comandam os movimentos que lhe produzem altera-
ção da massa geológica, enquanto se
operam as transformações morais.
[...]
Nos dias atuais, como no passado, amar é ver Deus em nosso pró-
ximo; meditar é encontrar Deus
em nosso mundo íntimo, a fim de
espargir-se a caridade na direção
de todas as criaturas humanas.
Trabalhar, portanto, o mundo
íntimo, não temer quaisquer amea-
ças de natureza calamitosa através
das grandes destruições que fazem
parte do progresso e da renova-
ção, ou aquelas de dimensão não
menos significativa na intimidade
doméstica, nos conflitos do sentimento, demonstrando que a luz
do Cristo brilha em nós e conduz-
-nos com segurança.
[...]
Sejam celebradas e vividas a
crença em Deus, na imortalidade,
nas vidas ou existências sucessivas,
fazendo que as criaturas deem-se
as mãos construindo o mundo de
regeneração e de paz pelo qual todos anelamos...
[...]
Ainda verteremos muito pranto,
ouviremos muitas profecias alarmantes, mas a Terra sairá desse processo de transformação mais feliz,
mais depurada, com seus filhos ditosos rumando para mundo superior na escalada evolutiva”.
8
Em outra manifestação, a mesma
Entidade espiritual esclarece:
“...Estamos agora em um novo
período.
Estes dias assinalam uma data
muito especial, a data da mudança
do  mundo de provas e expiações
para o mundo de regeneração.
A grande noite que se abatia
sobre a Terra lentamente deu lugar ao amanhecer de bênçãos.
[...]
Iniciada a grande transição,
chegaremos ao clímax, e na razão
direta em que o planeta experimenta as suas mudanças físicas,
geológicas, as mudanças morais
são inadiáveis. Que sejamos nós
aqueles Espíritos-espíritas que demonstremos a grandeza do amor
de Jesus em nossas vidas”.
9
A etapa da transição que ora se
vive, sem dúvida, tem o Mestre
Jesus no leme!
Referências:
1
KARDEC, Allan. O evangelho segundo do
espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1. reimp. (atualizada). Rio de Janeiro:
FEB, 2010. Cap. 3, item 19.
2
______. A gênese. Trad. Evandro Noleto
Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap.
18, itens 2, 5, 9.
3
______. ______. Cap. 18, item 8.
4
XAVIER, Francisco C.  A caminho da luz.
Pelo Espírito Emmanuel. 37. ed. 1. reimp.
Rio de Janeiro: FEB, 2009. Introdução, p. 13.
5
______. ______. Cap. 24, item Lutas
renovadoras, p. 250-251.
6
______. ______. Cap. 25, p. 260.
7
______. Há dois mil anos. Pelo Espírito
Emmanuel. 4. ed. esp. 3. reimp. Rio de
Janeiro: FEB, 2009. P. 2, cap. 6, p. 346-
-347.
8
FRANCO, Divaldo P. Novas responsabilidades. Pelo Espírito Bezerra de Menezes.
In:  Reformador, ano 128, n. 2.176,
p. 8(262)-9(263), jul. 2010.
9
______. Momento da gloriosa transição. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. In: Reformador, ano 128, n. 2.175, p. 8(222), jun. 2010.
N o v e m b r o   2 0 1 0   •   R e f o r m a d o r 9 35D e z e m b r o   2 0 1 0   •   R e f o r m a d o r 29
a etapa significativa de
nossos tempos de transi-
ção para uma Nova Era, o
Espiritismo tem um papel a exercer como “Consolador Prometido”.
A disseminação dos princípios
emanados da Doutrina Espírita  é
necessária para que a mensagem
de esclarecimento, consolo e esperança se faça presente junto às
pessoas. Realmente, é o momento
de se concretizarem as belas e
profundas assertivas contidas no
capítulo VI de O Evangelho segundo o Espiritismo – O Cristo Consolador!
Em O Livro dos Espíritos há algumas questões que delineiam
essa tarefa:
O Espiritismo se tornará crença
geral, ou continuará sendo professado apenas por algumas pessoas?
“Certamente ele se tornará
crença geral e marcará uma Nova
Era na História da Humanidade,
porque está na Natureza e chegou
o tempo em que ocupará lugar
entre os conhecimentos humanos. Entretanto, terá que sustentar
grandes lutas, mais contra os interesses, do que contra a convicção
[...].”
1
Comentário de Kardec:
“[...] Sua marcha, porém, será
mais rápida que a do Cristianismo, porque é o próprio Cristianismo que lhe abre o caminho e
serve de apoio. [...]”.
1
O Codificador deixa muito
clara a tarefa do Espiritismo na
questão:
De que maneira o Espiritismo
pode contribuir para o progresso?
“Destruindo o materialismo,
que é uma das chagas da sociedade, o Espiritismo pode fazer com
que os homens compreendam
onde estão seus verdadeiros interesses. Como a vida futura não
mais estará velada pela dúvida, o
homem perceberá melhor que
pode garantir seu futuro por meio
do presente. Destruindo os preconceitos de seitas, castas e cores, o
Espiritismo ensina aos homens
a grande solidariedade que os há
de unir como irmãos.”
2
O tema é tratado de forma
esclarecedora por Allan Kardec
em  A Gênese, com a seguinte
assertiva:
“O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da Humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu
poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange, o
Espiritismo, mais do que qualquer outra doutrina, está apto a
secundar o movimento regenerador; por isso, ele é contemporâ-
neo desse movimento. Surgiu no
momento em que podia ser útil,
visto que também para ele os
tempos são chegados. [...]”.
3
Dentro da visão sobre a Nova
Era, comentou Emmanuel numa
das primeiras obras psicografadas
por Chico Xavier, em  A Caminho
da Luz: “[...] todos os Espíritos de
N
A transição e o papel
do Espiritismo
*
*
N. da R.: Terceiro de uma série de três
artigos, sobre a mesma temática, elaborado pela equipe da Secretaria-Geral do
Conselho Federativo Nacional da FEB.boa vontade poderiam trabalhar
pelo advento da paz e da fraternidade do futuro humano, e foi por
isso que, laborando para os séculos
porvindouros, definiram o papel
de cada região no continente [...]”,
e localiza ainda “seu coração nas
extensões da terra farta e acolhedora onde floresce o Brasil, na
América do Sul”.
4
Este assunto é
desenvolvido pelo Espírito Humberto de Campos na obra específica que é Brasil, Coração do
Mundo, Pátria do Evangelho.
Divaldo Pereira Franco
tem sido intermediário
mediúnico para diversas manifestações sobre o tema. O Espírito
Joanna de Ângelis esclarece:
“O indivíduo, que se renova
moralmente, contribui de forma
segura para as alterações que se
vêm operando no planeta. Não é
necessário que o turbilhão dos
sofrimentos gerais o sensibilize,
a fim de que possa contribuir
eficazmente com os Espíritos que
operam em favor da grande transição”.
5
No conjunto das obras citadas,
fica claro que a questão humanística e espiritual é de fundamental
importância para a aurora da
Nova Era, como destaca Emmanuel em O Consolador:
“Como entender o trabalho de
p u r  i f i c a ç ã o   n o s   amb i e  n t e s   d o
mundo?
[...] Todos os Espíritos encarnados, porém, devem considerar
que se encontram no planeta como em poderoso cadinho de acrisolamento e regeneração, sendo
indispensável cultivar a flor da iluminação íntima, na angústia da vida humana, no círculo da família
ou da comunidade social, através
da maior severidade para consigo
mesmo e da maior tolerância com
os outros [...]”.
6
A propósito do planejamento e
das etapas de cumprimento para
a transição para uma Nova Era,
torna-se sugestiva a leitura e a reflexão sobre a parábola do “Festim
das Bodas” (Mateus, 22: 1-14).
7
Reflexões e
recomendações
Com base nos textos citados ao
longo deste e de dois outros artigos, anteriormente publicados em
Reformador, apresentamos algumas contribuições para as reflexões em torno de algumas ações
viáveis como papel do Espiritismo na fase de transição para a
Nova Era e que podem ser entendidas como recomendações ao
Movimento Espírita e aos espíritas em geral:
• Implementar a ampla difusão
dos princípios da Doutrina
Espírita;
• Estimular a união dos espí-
ritas e a unificação do Movimento Espírita como uma família, base propiciadora
à difusão do Espiritismo
e à prática da solidariedade;
• Divulgar as obras básicas
e as que sejam coerentes com
a Codificação Espírita, como
recomendações para leituras
e estudos;
• Evitar a divulgação de informações e de literaturas catastróficas que destaquem fatos
negativos;
• Pautar as ações espíritas –
estudo, divulgação e prática –
com base no ensino moral do
Cristo;
• Manter em constante execução as Campanhas Em Defesa da Vida, Viver em Família,
Construamos a Paz Promovendo o Bem!, “O Evangelho
no Lar e no Coração”, e Divulgação do Espiritismo;
• Estimular a realização de
campanhas de esclarecimento sobre a visão espírita com
re  l a ç ão  à  pre s e r  v  a ç ão do
meio ambiente;
30 4 R e f o r m a d o r •   D e z e m b r o   2 0 1 0        • Estimular e orientar ações
de parcerias, em casos de
acidentes e tragédias, com a
concretização da solidariedade e da fraternidade;
• Estimular ações de convivência fraterna e de parceria,
quando há objetivos comuns,
com as diversas agremiações
religiosas;
• Estimular a reforma e a iluminação íntima, bem como o
exercício da serenidade.
“Vinde a mim, todos vós que
estais aflitos e sobrecarregados,
que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós
o meu jugo e aprendei comigo que
sou brando e humilde de coração e
achareis repouso para vossas almas,
pois é suave o meu jugo e leve o
meu fardo. (Mateus, 11:28-30.)”
8
Referências:
1
KARDEC, Allan.  O livro dos espíritos.
Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de
Janeiro: FEB, 2010. Q. 798.
2
______. ______. Q. 799.
3
______. A gênese. Trad. Evandro Noleto
Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap.
18, item 25.
4
XAVIER, Francisco C. A caminho da luz.
Pelo Espírito Emmanuel. 37. ed. 1. reimp.
Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 20, item
Missão da América, p. 207.
5
FRANCO, Divaldo P.  Jesus e vida. Pelo
Espírito Joanna de Ângelis. Salvador:
LEAL. Cap. A grande transição.
6
XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo
Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp. Rio
de Janeiro: FEB, 2010. Q. 229.
7
KARDEC,  Al lan.   O evangelho  segundo o espi r i t i smo.  Trad.  Evandro Noleto Bezer ra.   1 .   reimp.   (atual i zada) .
Rio de  Janei ro:   FEB,  2010.  Cap.   18,
i tens   1 -2.
8
______. ______. Cap. 6, item 1.
D e z e m b r o   2 0 1 0   •   R e f o r m a d o r 31
Retorno à Pátria Espiritual
Desencarnou no Rio de Janeiro, às 2h do dia 11 de novembro
de 2010, no Hospital Nortecor,
com 68 anos, nosso companheiro
Amaury Alves da Silva, diretor
da FEB que, durante 8 anos consecutivos, de 1999 a 2007, exerceu o  c a r go de   g e rente  de  Reformador, além de haver servido,
nos últimos 3 anos, ao setor de
Atendimento Fraterno, em funcionamento na Sede Seccional do
Rio de Janeiro.
O sepultamento foi realizado
às 16h no Cemitério São Francisco Xavier, no bairro do Caju,
havendo comparecido ao velório
diretores, colaboradores e funcionários da FEB. Após as expressões emocionadas de sua esposa, Maria Alves da Silva, o confrade Jorge Camacho, da União
Espírita Paulo, Dimas e Madalena, sediada no bairro carioca de
Bangu, proferiu sentida prece
em favor do Amaury, a quem se
sentia ligado por estreitíssimos
laços de fraternidade.
Ao irmão Amaury, em seu
retorno à Pátria Espiritual, rogamos as bênçãos de Jesus

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

MENSAGEM AO MEU PAI


MEU PAI TERERÉ (Carlos Acosta)



Hoje, penso e falo com certeza que você está bem.
Mas, para chegar a esta conclusão levaram longos 10 anos.
Quando aconteceu nossa separação momentânea, pensei : “Nossa meu mundo  ruiu, acabou, estou só..”.
Chorei  tanto que meus olhos ficaram fechados por três dias.
Não queria saber se era apenas uma passagem de plano. Para mim eu o havia perdido e, nunca mais o veria.
Mas aprendi com muito estudo, orientação e contatos, que é realmente só uma passagem.
Hoje sinto saudades sim mas, não são tão doloridas. Tenho esperanças novas e muita fé que nos encontraremos.
Com você PAI, aprendi valores que passei a minha filha e hoje passo a minha neta.
Aprendi, que a verdade, por pior que seja é melhor que a mentira bem contada;
Aprendi que, aquele pedinte, pode ser Jesus nos  testando;
Aprendi que quem é mais velho, devem ser chamados de Senhor e Senhora;
Aprendi que onde trabalhamos é um lugar sagrado e deve ser respeitado;
Aprendi que não se deve olhar o irmão como se ele fosse menos que nós e sim igual;
Aprendi que compromissos devem ser cumpridos e promessas também;
Aprendi que criticar seu irmão é uma coisa muito feia e por fim,
Aprendi que o que fazemos aos outros será feito a nós em algum tempo.
Espera meu Velho; Breve nos encontraremos e nosso abraço será tão apertado que passaremos horas sem respirar.
Onde você estiver, FELIZ DIA DOS PAIS!

Elaine Acosta Marins
(NANI)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

POEMA QUE AMO. É DE CASTRO ALVES

"Eu sou como a garça triste
"Que mora à beira do rio,
"As orvalhadas da noite
"Me fazem tremer de frio.

"Me fazem tremer de frio
"Como os juncos da lagoa;
"Feliz da araponga errante
"Que é livre, que livre voa.

"Que é livre, que livre voa
"Para as bandas do seu ninho,
"E nas braúnas à tarde
"Canta longe do caminho.

"Canta longe do caminho.
"Por onde o vaqueiro trilha,
"Se quer descansar as asas
"Tem a palmeira, a baunilha.

"Tem a palmeira, a baunilha,
"Tem o brejo, a lavadeira,
"Tem as campinas, as flores,
"Tem a relva, a trepadeira,

"Tem a relva, a trepadeira,
"Todas têm os seus amores,
"Eu não tenho mãe nem filhos,
"Nem irmão, nem lar, nem flores".

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PSICOGRAFIA

Dom Hélder se manifesta...

"NOVAS UTOPIAS

Recentemente foi lançado no mercado cultural um livro mediúnico trazendo as reflexões de um padre depois da morte, atribuído, justamente, ao Espírito Dom Helder Câmara, bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife, desencarnado no dia 28 de agosto de 1.999 em Recife, Pernambuco.É do conhecimento geral, principalmente dos católicos brasileiros: Dom Elder Câmara foi um dos fundadores da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e grande defensor dos direitos humanos durante o regime militar brasileiro, cuja luta, nesse processo político da nossa história, o notabilizou no mundo todo, como uma das figuras mais expressivas do século XX, na defesa dos fracos contra a tirania dos fortes e dos pobres contra a usura dos ricos. Pregava uma igreja simples voltada para os pobres e a não-violência. Por sua atuação, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Foi indicado quatro vezes para o prêmio Nobel da Paz.
Em 1969 - Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Saint Louis, Estados Unidos. Este mesmo título foi-lhe conferido por diversas universidades brasileiras e estrangeiras: Bélgica, Suíça, Alemanha, Holanda, Itália, Canadá e Estados Unidos. Foi intitulado cidadão honorário de 28 cidades brasileiras e da cidade de São Nicolau, na Suiça e Rocamadour, na França.
Recebeu o prêmio Martin Luther King, nos EUA e o prêmio Popular da Paz, na Noruega e diversos outros prêmios internacionais.
Por isso, o livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio espírita e grande polêmica entre os católicos. O que causou mais espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom Helder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões. Marcelo Barros secretariou Dom Helder Câmara no período de 1.966 a 1.975 e tem 30 livros publicados.Ao prefaciar o livro Novas Utopias, do Espírito Dom Helder, reconhecendo a autenticidade do comunicante, pela originalidade de suas idéias e, também, pela linguagem, é como se a Igreja Católica viesse a público reconhecer o erro no qual incorreu muitas vezes, ao negar a veracidade do fenômeno da comunicação entre vivos e mortos, e desse ao livro de Carlos Pereira, toda a fé necessária como o Imprimatur do Vaticano. É importante destacar, ainda, que os direitos autorais do livro foram divididos em partes iguais, na doação feita pelo médium, à Sociedade Espírita Ermance Dufaux e ao Instituto Dom Helder Câmara, de Recife, o que, aliás, foi aceito pela instituição católica, sem nenhum constrangimento.
No prefácio do livro aparece também o aval do filósofo e teólogo Inácio Strieder e a opinião favorável da historiadora e pesquisadora Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados a Igreja Católica. Conforme eles mesmos disseram, essa obra talvez não seja uma produção direcionada aos espíritas, que já convivem com o fenômeno da comunicação, desde a codificação do Espiritismo; mas, para uma grandiosa parcela da população dentro da militância católica, que é chamada a conhecer a verdade espiritual, porque "os tempos são chegados"; estes ensinamentos pertencem à natureza e, conseqüentemente, a todos os filhos de Deus.
A verdade espiritual não é propriedade dos espíritas ou de outros que professam estes ensinamentos e, talvez, porque, tenha chegado o momento da Igreja Católica admitir, publicamente, a existência espiritual, a vida depois da morte e a comunicação entre os dois mundos.
Na entrevista com Dom Helder Câmara, realizada pelos editores, o Espírito comunicante respondeu as seguintes perguntas sobre a vida espiritual:Dom Helder, mesmo na vida espiritual, o senhor se sente um padre?Não poderia deixar de me sentir padre, porque minha alma, mesmo antes de voltar, já se sentia padre. Ao deixar a existência no corpo físico, continuo como padre porque penso e ajo como padre. Minha convicção à Igreja Católica permanece a mesma, ampliada, é claro, com os ensinamentos que aqui recebo, mas continuo firme junto aos meus irmãos de Clero a contribuir, naquilo que me seja possível, para o bem da humanidade.
Do outro lado da vida, o senhor tem alguma facilidade a mais para realizar seu trabalho e exprimir seu pensamento ou ainda encontra muitas barreiras com o preconceito religioso?
Encontramos muitas barreiras. As pessoas que estão do lado de cá reproduzem o que existe na Terra. Os mesmos agrupamentos que se formam aqui se reproduzem na Terra. Nós temos as mesmas dificuldades de relacionamento, porque os pensamentos continuam firmados, cristalizados em determinados pontos que não levam a nada. Mas, a grande diferença é que por estarmos com a vestimenta do espírito, tendo uma consciência mais ampliada das coisas podemos dirigir os nossos pensamentos de outra maneira e assim influenciar aqueles que estão na Terra e que vibram na mesma sintonia.
Como o senhor está auxiliando nossa sociedade na condição de desencarnado?Do mesmo jeito. Nós temos as mesmas preocupações com aqueles que passam fome, que estão nos hospitais, que são injustiçados pelo sistema que subtrai liberdades, enriquece a poucos e colocam na pobreza e na miséria muitos; todos aqueles desvalidos pela sorte. Nós juntamos a todos que pensam semelhantemente a nós, em tarefas enobrecedoras, tentando colaborar para o melhoramento da humanidade.
Como é sua rotina de trabalho?
A minha rotina de trabalho é, mais ou menos, a mesma. Levanto-me, porque aqui também se descansa um pouco, e vamos desenvolver atividades para as quais nos colocamos à disposição. Há grupos que trabalham e que são organizados para o meio católico, para aqueles que precisam de alguma colaboração. Dividimo-nos em grupos e me enquadro em algumas atividades que faço com muito prazer.
Qual foi a sua maior tristeza depois de desencarnado? E qual foi a sua maior alegria?Eu já tinha a convicção de que estaria no seio do Senhor e que não deixaria de existir. Poder reencontrar os amigos, os parentes, aqueles aos quais devotamos o máximo de nosso apreço e consideração e continuar a trabalhar, é uma grande alegria. A alegria do trabalho para o Nosso Senhor Jesus Cristo.O senhor, depois de desencarnado. Tem estado com freqüência nos centros espíritas?Não. Os lugares mais comuns que visito no plano físico são os hospitais; as casas de saúde; são lugares onde o sofrimento humano se faz presente. Naturalmente vou à igreja, a conventos, a seminários, reencontro com amigos, principalmente em sonhos, mas minha permanência mais freqüente não é na casa espírita.
O senhor já era reencarnacionista antes de morrer?
Nunca fui reencarnacionista, diga-se de passagem. Não tenho sobre este ponto um trabalho mais desenvolvido porque esse é um assunto delicado, tanto é que o pontuei bem pouco no livro. O que posso dizer é que Deus age conforme a sua sabedoria sobre as nossas vidas e que o nosso grande objetivo é buscarmos a felicidade mediante a prática do amor. Se for preciso voltar a ter novas experiências, isso será um processo natural.
Mediunidade - Qual é o seu objetivo em escrever mediunicamente?Mudar, ou pelo menos contribuir para mudar, a visão que as pessoas têm da vida, para que elas percebam que continuamos a existir e que essa nova visão possa mudar profundamente a nossa maneira de viver.
Qual foi a sensação com a experiência da escrita mediúnica?Minha tentativa de adaptação a essa nova forma de escrever foi muito interessante, porque, de início, não sabia exatamente como me adaptar ao médium para poder escrever. É necessário que haja uma aproximação muito grande entre o pensamento que nós temos com o pensamento do médium. É esse o grande de todos nós porque o médium precisa expressar aquilo que estamos intuindo a ele. No início foi difícil, mas aos poucos começamos a criar uma mesma forma de expressão e de pensamento, aí as coisas melhoraram. Outros (médiuns) pelos quais tento me comunicar enfrentam problemas semelhantes.Foi uma surpresa saber que poderia se comunicar pela escrita mediúnica?Não. Porque eu já sabia que muitas pessoas portadoras da mediunidade faziam isso. Eu apenas não me especializei, não procurei mais detalhes, deixei isso para depois, quando houvesse tempo e oportunidade.
Imaginamos que haja outros padres que também queiram escrever mediunicamente, relatarem suas impressões da vida espiritual. Por que Dom Helder é quem está escrevendo?
Porque eu pedi. Via-me com a necessidade de expressar aos meus irmãos da Terra que a vida continua e que não paramos simplesmente quando nos colocam dentro de um caixão e nos dizem "acabou-se". Eu já pensava que continuaria a existir, sabia que haveria algo depois da vida física. Falei isso muitas vezes. Então, sentir a necessidade de me expressar por um médium, quando estivesse em condições e me fossem dadas as possibilidades. É isto que eu estou fazendo.
Outros padres, então, querem escrever mediunicamente em nosso país?Sim. E não poucos. São muitos aqueles que querem usar a pena mediúnica para poder expressar a sobrevivência após a vida física. Não o fazem por puro preconceito de serem ridicularizados, de não serem aceitos, e resguardam as suas sensibilidades espirituais para não serem colocados numa situação de desconforto. Muitos padres, cardeais até, sentem a proteção espiritual nas suas reflexões, nas suas prédicas, que acreditam ser o Espírito Santo, que na verdade são os irmãos que têm com eles algum tipo de apreço e colaboram nas suas atividades.
Como o senhor se sentiu em interação com o médium Carlos Pereira?Muito à vontade, pois havia afinidade, e porque ele se colocou à disposição para o trabalho. No princípio foi difícil juntar-me a ele por conta de seus interesses e de seu trabalho. Quando acertamos a forma de atuar foi muito fácil, até porque, num outro momento, ele começou a pesquisar sobre a minha última vida física. Então ficou mais fácil transmitir-lhe as informações que fizeram o livro.
O senhor acredita que a Igreja Católica irá aceitar suas palavras pela mediunidade?Não tenho esta pretensão. Sabemos que tudo vai evoluir e que um dia, inevitavelmente, todos aceitarão a imortalidade com naturalidade, mas é demais imaginar que um livro possa revolucionar o pensamento da nossa Igreja. Acho que teremos críticas, veementes até, mas outros mais sensíveis admitirão as comunicações. Este é o nosso propósito.
É verdade que o senhor já tinha alguns pensamentos espíritas quando na vida física?
Eu não diria espírita; diria espiritualista, pois a nossa Igreja, por si só, já prega a sobrevivência após a morte. Logo, fazermos contato com o plano físico depois da morte seria uma conseqüência natural. Pensamentos espíritas não eram, porque não sou espírita. Sem nenhum tipo de constrangimento em ter negado alguns pensamentos espíritas, digo que cheguei a ter, de vez em quando, experiências íntimas espirituais.
Igreja - Há as mesmas hierarquias no mundo espiritual?
Não exatamente, mas nós reconhecemos os nossos irmãos que tiveram responsabilidades maiores e que notoriamente tem um grau evolutivo moral muito grande. Seres do lado de cá se reconhecem rapidamente pela sua hombridade, pela sua lucidez, pela sua moralidade. Não quero dizer que na Terra isto não ocorra, mas do lado de cá da vida isto é tudo mais transparente; nós captamos a realidade com mais intensidade. Autoridade aqui não se faz somente com um cargo transitório que se teve na vida terrena, mas, sobretudo, pelo avanço moral.
Qual seu pensamento sobre o papado na atualidade?
Muito controverso esse assunto. Estar na cadeira de Pedro, representando o pensamento maior de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma responsabilidade enorme para qualquer ser humano. Então fica muito fácil, para nós que estamos de fora, atribuirmos para quem está ali sentado, algum tipo de consideração. Não é fácil. Quem está ali tem inúmeras responsabilidades, não apenas materiais, mas descobri que as espirituais ainda em maior grau. Eu posso ter uma visão ideológica de como poderia ser a organização da Igreja; defendi isso durante minha vida. Mas tenho que admitir, embora acredite nesta visão ideal da Santa Igreja, que as transformações pelas quais devemos passar merecem cuidado, porque não podemos dar sobressaltos na evolução. Queira Deus que o atual Papa Ratzinger (Bento XVI) possa ter a lucidez necessária para poder conduzir a Igreja ao destino que ela merece.
O senhor teria alguma sugestão a fazer para que a Igreja cumpra seu papel?Não preciso dizer mais nada. O que disse em vida física, reforço. Quero apenas dizer que quando estamos do lado de cá da vida, possuímos uma visão mais ampliada das coisas. Determinados posicionamentos que tomamos, podem não estar em seu melhor momento de implantação, principalmente por uma conjuntura de fatores que daqui percebemos. Isto não quer dizer que não devamos ter como referência os nossos principais ideais e, sempre que possível, colocá-los em prática.
Espíritas no futuro?
Não tenho a menor dúvida. Não pertencem estes ensinamentos a nossa Igreja, ou de outros que professam estes ensinamentos espirituais. Portanto, mais cedo ou mais tarde, a nossa Igreja terá que admitir a existência espiritual, a vida depois da morte, a comunicação entre os dois mundos e todos os outros princípios que naturalmente decorrem da vida espiritual.
Quais são os nomes mais conhecidos da Igreja que estão cooperando com o progresso do Brasil no mundo espiritual?
Enumerá-los seria uma injustiça, pois há base em todas as localidades. Então, dizer um nome ou de outro seria uma referência pontual porque há muitos, que são poucos conhecidos, mas que desenvolvem do lado de cá da vida um trabalho fenomenal e nós nos engajamos nestas iniciativas de amor ao próximo.
Amor - Que mensagem o senhor daria especificamente aos católicos agora depois da morte?
Que amem, amem muito, porque somente através do amor vai ser possível trazer um pouco mais de tranqüilidade à alma. Se nós não tentarmos amar do fundo dos nossos corações, tudo se transformará numa angústia profunda. O amor, conforme nos ensinou o Nosso Senhor Jesus Cristo, é a grande mola salvadora da humanidade.
Que mensagem o senhor deixaria para nós espíritas?
Que amem também, porque não há divisão entre espíritas e católicos ou qualquer outra crença no seio do Senhor. Não há. Essa divisão é feita por nós não pelo Criador. São aceitáveis porque demonstram diferenças de pontos de vista, no entanto, a convergência é única, aqui simbolizada pela prática do amor, pois devemos unir os nossos esforços.
Que mensagem o senhor deixaria para os religiosos de uma maneira geral?Que amem. Não há outra mensagem senão a mensagem do amor Ela é a única e principal mensagem que se pode deixar. "

Livro: Novas Utopias
Autor: Dom Helder Câmara (espírito)
Médium: Carlos Pereira
Editora: Dufaux