Havia uma fazenda onde os trabalhadores viviam tristes e isolados. Eles estendiam suas roupas surradas no varal e alimentavam seus magros cães com o pouco que sobrava das refeições. Todos que viviam ali trabalhavam na roça do Sr. João, dono de muitas terras, que exigia trabalho duro, pagando pouco.
Um dia, chegou ali um jovem agricultor em busca de trabalho. Foi admitido e recebeu, como todos, uma velha casa para morar enquanto trabalhasse ali. Vendo a casa suja e abandonada, o jovem resolveu dar-lhe vida nova. Cuidou da limpeza e, em suas horas vagas, lixou e pintou as paredes com cores alegres e brilhantes, além de plantar flores no jardim e nos vasos. A casa limpa e arrumada destacava-se das demais e chamava a atenção de todos que por ali passavam. Ele sempre trabalhava alegre e feliz na fazenda, por isso tinha o apelido de Zé Alegria. Os outros trabalhadores perguntavam: "Como você consegue trabalhar feliz e sempre cantando com o pouco dinheiro que ganhamos?"
O jovem olhou para os amigos e disse: "Bem, este trabalho hoje é tudo que eu tenho. Em vez de blasfemar e reclamar, prefiro agradecer por ele. Quando aceitei trabalhar aqui, sabia das condições. Não é justo agora reclamar. Farei com capricho e amor aquilo que aceitei fazer."
Os outros, que acreditavam ser vítimas das circunstâncias, abandonados pelo destino, o olhavam admirados e comentavam entre si: "Como ele pode pensar assim?". O entusiasmo do rapaz, em pouco tempo, chamou a atenção do fazendeiro, que passou a observá-lo a distância. Um dia, o senhor João pensou: "Alguém que cuida com tanto carinho da casa que emprestei, cuidará com o mesmo capricho da minha fazenda. Ele é o único aqui que pensa como eu. Estou velho e preciso de alguém que me ajude na administração da fazenda".
Num final de tarde, foi até a casa do rapaz e, após tomar um café fresquinho, ofereceu ao jovem o cargo de administrador da fazenda. O rapaz aceitou prontamente. Seus amigos agricultores novamente foram lhe perguntar: "O que faz algumas pessoas serem bem-sucedidas e outras não?".
A resposta do jovem veio logo:
"Em minhas andanças, meus amigos, eu aprendi muito, e o principal é que não somos vítimas do destino. Existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca. E isso depende de cada um".
terça-feira, 31 de maio de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
MENSAGEM DO DIA
| Mensagem do dia | | | |
Querido irmão, querida irmã,
Por alguns minutos respire pausadamente, excluindo da mente toda e qualquer preocupação, e mentalize Jesus...
Retire só um pouco a atenção das dúvidas, dos temores, das aflições, das dores, das dificuldades e dos impedimentos, da falta de saúde, da falta de recursos, das incompreensões, do desamor e das hostilidades e, adoçando o coração, sinta a sua amorosa presença ao seu lado ou ao lado de quem desejas ver beneficiado.
Sentindo-O, nada peça pois Jesus sabe do que precisas... Apenas entregue-se à sua Divina proteção e ore:
Retire só um pouco a atenção das dúvidas, dos temores, das aflições, das dores, das dificuldades e dos impedimentos, da falta de saúde, da falta de recursos, das incompreensões, do desamor e das hostilidades e, adoçando o coração, sinta a sua amorosa presença ao seu lado ou ao lado de quem desejas ver beneficiado.
Sentindo-O, nada peça pois Jesus sabe do que precisas... Apenas entregue-se à sua Divina proteção e ore:
"Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome!
Venha a nós o vosso reino e seja feita a vossa vontade,
assim na Terra como no céu.
O pão nosso de cada dia dai-nos hoje e perdoai as nossas dívidas
assim como perdoamos os nossos devedores,
e não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal,
porque teus são o Reino, o Poder
e a Glória para sempre!"
Venha a nós o vosso reino e seja feita a vossa vontade,
assim na Terra como no céu.
O pão nosso de cada dia dai-nos hoje e perdoai as nossas dívidas
assim como perdoamos os nossos devedores,
e não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal,
porque teus são o Reino, o Poder
e a Glória para sempre!"
Assim seja!
___ * * * ___
Que estes breves momentos possam ter contribuido para o restabelecimento da sua paz e harmonia interior!
Que Jesus esteja contigo, daqui para a frente, com sua doce proteção, para que possas solucionar todas as dificuldades que te afligem ou afligem aqueles que amas...
Se desejas permanecer conosco mais um pouco, fique em paz, mas se desejas sair agora, que esta paz te acompanhe em todos os momentos!...
Que Jesus esteja contigo, daqui para a frente, com sua doce proteção, para que possas solucionar todas as dificuldades que te afligem ou afligem aqueles que amas...
Se desejas permanecer conosco mais um pouco, fique em paz, mas se desejas sair agora, que esta paz te acompanhe em todos os momentos!...
Um fraterno e carinhoso abraço,
quarta-feira, 25 de maio de 2011
CARIDADE E AMOR AO PRÓXIMO - ESTUDO DE 25/05/11
Boa noite a todos os amigos.
" O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa." ( "Livro dos Espíritos" Questão 886)
O Livro dos Espíritos nos coloca claramente que a caridade não é apenas material, embora ela seja significativa. "A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer" ("Livro dos Espíritos" Questão 886)
A caridade moral, aquela que vem da doação de nosso tempo livre, é a mais importante caridade que poderemos efetuar. Deus não deixa seus filhos sem amparo. Só a condição de chegarem até nós, os necessitados de alguma forma, material ou moral, já nos mostra nosso compromisso. Vejamos o que nos diz o "Evangelho Segundo o Espiritismo" (Capítulo XXV - Buscai e Achareis - Observai os pássaros do céu: 6 a 8.):
"Eis por que vos digo: Não vos inquieteis por saber onde achareis o que comer para sustento da vossa vida, nem de onde tirareis vestes para cobrir o vosso corpo. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes? Observai os pássaros do céu: não semeiam, não ceifam, nada guardam em celeiros; mas, vosso Pai celestial os alimenta. Não sois muito mais do que eles? - e qual, dentre vós, o que pode, com todos os seus esforços, aumentar de um côvado a sua estatura? Por que, também, vos inquietais pelo vestuário? Observai como crescem os lírios dos campos: não trabalham, nem fiam; - entretanto, eu vos declaro que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. - Ora, se Deus tem o cuidado de vestir dessa maneira a erva dos campos, que existe hoje e amanhã será lançada na fornalha, quanto maior cuidado não terá em vos vestir, ó homens de pouca fé! Não vos inquieteis, pois, dizendo: Que comeremos? ou: que beberemos? ou: de que nos vestiremos? - como fazem os pagãos, que andam à procura de todas essas coisas; porque vosso Pai sabe que tendes necessidades delas. Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, que todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo. - Assim, pois, não vos ponhais inquietos pelo dia de amanhã, porquanto o amanhã cuidará de si. A cada dia basta o seu mal." Quando Jesus nos fala da caridade, do amor, ele nos lembra que nem sempre esses sentimentos são fáceis. Pois muito fácil é amar e amparar os amigos. Mas e os inimigos? "Jesus também disse: Amai mesmo os vossos inimigos. Ora, o amor aos inimigos não será contrário às nossas tendências naturais e a inimizade não provirá de uma falta de simpatia entre os Espíritos? "Certo ninguém pode votar aos seus inimigos um amor terno e apaixonado. Não foi isso o que Jesus entendeu de dizer. Amar os inimigos é perdoar-lhes e lhes retribuir o mal com o bem. O que assim procede se torna superior aos seus inimigos, ao passo que abaixo deles se coloca, se procura tomar vingança."" ("Livro dos Espíritos" Questão 887).
Na questão 888, Kardec pergunta sobre a esmola e os espíritos respondem (São Vicente de Paulo): 888. Que se deve pensar da esmola? "Condenando-se a pedir esmola, o homem se degrada física e moralmente: embrutece-se. Uma sociedade que se baseie na lei de Deus e na justiça deve prover à vida do fraco, sem que haja para ele humilhação. Deve assegurar a existência dos que não podem trabalhar, sem lhes deixar a vida à mercê do acaso e da boa-vontade de alguns." a) - Dar-se-á reproveis a esmola? "Não; o que merece reprovação não é a esmola, mas a maneira por que habitualmente é dada. O homem de bem, que compreende a caridade de acordo com Jesus, vai ao encontro do desgraçado, sem esperar que este lhe estenda a mão.
"A verdadeira caridade é sempre bondosa e benévola; está tanto no ato, como na maneira por que é praticado. Duplo valor tem um serviço prestado com delicadeza. Se o for com altivez, pode ser que a necessidade obrigue quem o recebe a aceitá-lo, mas o seu coração pouco se comoverá. "Lembrai-vos também de que, aos olhos de Deus, a ostentação tira o mérito ao beneficio. Disse Jesus: "Ignore a vossa mão esquerda o que a direita der." Por essa forma, ele vos ensinou a não tisnardes a caridade com o orgulho. "Deve-se distinguir a esmola, propriamente dita, da beneficência. Nem sempre o mais necessitado é o que pede. O temor de uma humilhação detém o verdadeiro pobre, que muita vez sofre sem se queixar. A esse é que o homem verdadeiramente humano sabe ir procurar, sem ostentação. "Amai-vos uns aos outros, eis toda a lei, lei divina, mediante a qual governa Deus os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados. A atração é a lei de amor para a matéria inorgânica. "Não esqueçais nunca que o Espírito, qualquer que sejam o grau de seu adiantamento, sua situação como reencarnado, ou na erraticidade, está sempre colocado entre um superior, que o guia e aperfeiçoa, e um inferior, para com o qual tem que cumprir esses mesmos deveres. Sede, pois, caridosos, praticando, não só a caridade que vos faz dar friamente o óbolo que tirais do bolso ao que vo-lo ousa pedir, mas a que vos leve ao encontro das misérias ocultas. Sede indulgentes com os defeitos dos vossos semelhantes. Em vez de votardes desprezo à ignorância e ao vício, instruí os ignorantes e moralizai os viciados. Sede brandos e benevolentes para com tudo o que vos seja inferior. Sede-o para com os seres mais ínfimos da criação e tereis obedecido à lei de Deus."
Finalizando nosso capítulo em estudo, vemos que nada nos ocorre sem uma causa anterior, sendo que alguns homens se vêem condenados a mendigar por sua própria culpa; se uma boa educação moral os tivesse ensinado a praticar a lei de Deus, não teriam caído nos excessos causadores da sua perdição. E também somos remetidos à nossa responsabilidade, pois através de nosso progresso, nossa educação moral, é que depende a melhoria do planeta.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
QUEM SE ELEVAR, SERÁ REBAIXADO
3 – Naquela hora, chegaram-se a Jesus os seus discípulos, dizendo: Quem é o maior no Reino dos Céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles e disse: Na verdade vos digo que, se não fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele, pois,que se humilhar e se fizer pequeno como este menino, esse será o maior no Reino dos Céus. E o que receber em meu nome um menino como este, a mim é que recebe. (Mateus, XVIII: 1-5).
4 – Então se chegou a ele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o e pedindo-lhe alguma coisa. Ele lhe disse: Que queres? Respondeu ela: Dize a estes meus dois filhos que se assentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda. E respondendo Jesus, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber? Disseram-lhe eles: Podemos. Ele lhes disse: É verdade que haveis de beber o meu cálice; mas, pelo que toca a terdes assento à minha direita ou à minha esquerda, não me pertence conceder-vos, mas isso é para aqueles a quem meu Pai o tem preparado. E quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos. Mas Jesus os chamou a si e lhes disse: Sabeis que os príncipes das nações dominam os seus vassalos, e que os maiores exercitam sobre eles o seu poder. Não será assim entre vós; mas aquele que quiser ser o maior, esse seja o vosso servidor, e o que entre vós quiser ser o primeiro, seja o vosso escravo; assim como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em redenção de muitos. (Mateus, XX: 20-28).
5 – E aconteceu que, entrando Jesus num sábado em casa de um dos principais fariseus, a tomar a sua refeição, ainda eles o estavam observando. E notando como os convidados escolhiam os primeiros assentos à mesa, propôs-lhes esta parábola: Quando fores convidado a alguma boda, não te assentes no primeiro lugar, porque pode ser que esteja ali outra pessoa, mais autorizada que tu, convidada pelo dono da casa, e que, vindo este, que te convidou a ti e a ele, te diga: dá o teu lugar a este; e tu, envergonhado, irás buscar o último lugar. Mas quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: amigo, senta-te mais para cima, servir-te-á isto então de glória, na presença dos que estiverem juntamente sentados à mesa. Porque todo o que se exalta será humilhado; e todo o que se humilha será exaltado. (Lucas, XIV: 1, 7-11)
6 – Estas máximas são conseqüências do princípio de humildade, que Jesus põe incessantemente como condição essencial da felicidade prometida aos eleitos do Senhor, nas seguintes palavras: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Ele toma um menino como exemplo da simplicidade de coração, e diz: “Todo aquele, pois, que se fizer pequeno como este menino, será o maior no Reino dos Céus”; ou seja, aquele que não tiver pretensões à superioridade ou à infalibilidade.
O mesmo pensamento fundamental se encontra nesta outra máxima: “Aquele que quiser ser o maior, seja o que vos sirva”, e ainda nesta: “Porque quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.
O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, ao mostrar que os grandes no mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra, e que freqüentemente são bem pequenos os que foram grandes e poderosos. É que os primeiro levaram consigo, ao morrer, aquilo que unicamente constitui a verdadeira grandeza no céu, e que nunca se perde: as virtudes; enquanto os outros tiveram de deixar aquilo que os fazia grandes na Terra, e que não se pode levar: a fortuna, os títulos, a glória, a linhagem. Não tendo nada mais, chegam ao outro mundo desprovidos de tudo, como náufragos que tudo perderam, até as roupas. Conservam apenas o orgulho, que torna ainda mais humilhante a sua nova posição, porque vêem acima deles, e resplandecentes de glória, aqueles que espezinharam na Terra.
O Espiritismo nos mostra outra aplicação desse princípio nas encarnações sucessivas, onde aqueles que mais se elevaram numa existência, são abaixados até o último lugar na existência seguinte, se se deixaram dominar pelo orgulho e a ambição. Não procureis, pois, o primeiro lugar na Terra, nem queirais sobrepor-vos aos outros, se não quiserdes ser obrigado a descer. Procurai, pelo contrário, o mais humilde e o mais modesto, porque Deus saberá vos dar um mais elevado no céu, se o merecerdes.
sábado, 21 de maio de 2011
ENTREVISTA COM A VETERINÁRIA IRVÊNIA PRADA
O DIÁRIO - Como a senhora chegou à conclusão deque os animais têm alma?
IRVÊNIA PRADA - Na vivência da minha profissão de veterinária, comecei a me perguntar por que os animais sofrem. Na doutrina espírita, a gente fala que quando as pessoas sofrem elas estão amadurecendo.
Sempre as pessoas relatam que saem amadurecidas e mais espiritualizadas após uma doença ou um grande trauma. E eu via na minha profissão os animais terem câncer, epilepsia, enfim, toda sorte de sofrimento que os homens também têm. Então, resolvi estudar dentro do espiritismo a explicação para o sofrimento dos animais e comecei a entender que eles, como os seres humanos, também estão evoluindo. E nesse processo evolutivo de amadurecimento do espírito, a dor e o sofrimento são subprodutos da evolução.
Qual a dívida de um cachorro para ele passar a vida revirando lixo, enquanto outro só come ração importada?
São todos espíritos em evolução. Como eles também reencarnam e vão ter outras oportunidades, nem sempre eles vão nascer como animais que serão maltratados ou bem cuidados. Os próprios espíritos que cuidam da reencarnação dos animais orientam os animais que sofreram em uma vida para que tenham uma família mais aconchegante. Enfim, em toda essa trajetória evolutiva nós estamos aprendendo, inexoravelmente.
Emmanuel, que é um espírito que nos ajuda muito com suas obras, diz que na escola da vida, onde estamos todos matriculados, as aflições nos impingem esse esforço que chamamos de sofrimento. Ele também diz que nós nem sempre estamos sofrendo para resgatarmos dívidas do passado, mas sim para aprender.
É possível que uma pessoa hoje tenha sido um bicho no passado?
É possível, sim. Porque o chamado princípio inteligente, que é o espírito criado simples e ignorante, vai estar estagiando por milhares de processos reencarnatórios para ir aprendendo. Diz Emmanuel, esse mesmo autor que acabei de citar, que o animal caminha para a condição
de homem, tanto quanto o homem caminha para a condição da plenitude. É um processo evolutivo a que todos tendemos.
A senhora acredita que possamos encontrar nosso animal de estimação "do outro lado", quando morrermos?
Sim. No meu livro "A questão espiritual dos animais", que trata desse assunto, tem um caso que consta do livro "Testemunhos de Chico Xavier", da autora Suely Caldas Schubert. Ela conta que Chico Xavier escreveu uma carta a Vantoil de Freitas, então presidente da Federação
Espírita Brasileira na década de 50. Chico dizia na carta que seu irmão, José, ao desencarnar havia recomendado que ele cuidasse muito bem de seu cachorro, o Lorde. Chico conta que Lorde viveu mais alguns anos, ficou doente e desencarnou. Ele diz que durante o desencarne do cachorro, viu José vir acolher nos braços o espírito de Lorde. Deve ter sido uma cena lindíssima. E ele complementa contando que nos meses que se seguiram, quando José lhe vinha na presença em espírito, estava sempre acompanhado da presença do Lorde aos seus pés. Então, é possível sim que espíritos humanos e espíritos dos animais se reencontrem após o desencarne.
Nesse conceito de que os animais podem virar humanos em outra vida, quem cuida dos bichos também estaria quitando alguns de seus pecados com o próximo?
Dentro da conceituação espírita não existe essa expressão "pecado".
Nós, como seres em evolução, nem sempre nos conduzimos de maneira adequada em determinadas situações. Então, pode ser que, em outra encarnação, tenhamos a oportunidade de rever uma situação semelhante, para agir de uma maneira adequada. Tudo é um aprendizado e nós falamos assim: estamos resgatando débitos do passado. Mas ainda acho que é uma expressão um pouco depreciativa, creio que hoje estamos aprendendo a atuar e a agir de uma forma mais adequada que em situações anteriores.
Acredita-se ser possível que um homem volte em outra vida como animal?
Não. Na questão 612 do Livro dos Espíritos, que é o livro básico da codificação espírita, Allan Kardec faz a mesma pergunta aos espíritos. E a resposta é que não. Isso caracterizaria a doutrina da etempsicose, presente em algumas culturas, como no antigo Egito.
Nenhum espírito retrocede, o rio não remonta à fonte. Então, espíritos umanos jamais encarnariam em corpos de animais. É sempre uma aminhada para frente.
Dentro do conceito de evolução dos espíritos, defendido pela doutrina spírita, onde a Terra não seria o ponto mais alto na escalada do epíritos, é possível que em outras encarnações, ao partir para mundos ais evoluídos, o homem nasça como animal de estimação de seres
superiores?
Não sei dizer se essa situação pode se caracterizar. A gente sabe que ão é só a Terra que é habitada, existem muitos planetas por aí.
Aliás, quando a gente fala em elo perdido na teoria darwiniana, os espíritos dizem que é muito provável que esse elo esteja encarnado em outro planeta. Seria um lugar de período transitório, entre a Terra e outro planeta mais atrasado. Mas essa situação, para adiante da Terra, não sei dizer como deveria ficar. Só sei que há outros mundos habitados por espíritos mais evoluídos. No Livro dos Espíritos tem uma classificação dos espíritos e dos mundos. A última classe seria dos espíritos puros, que são aqueles que já tem toda sabedoria possível e
habitam planetas muito mais evoluídos que a Terra. Nosso planeta é um dos mais atrasados que existem nessa ordem evolutiva. Existe o primeiro nível, que é dos planetas primitivos, como a Terra quando estava na época da pedra lascada. O nosso estágio atual é de provas e
expiações, onde ainda a maldade, a violência e a doença prevalecem. O próximo estágio, ao qual a Terra logo será promovida, é o de planeta de regeneração, onde o esforço para melhorar será maior que o que fazemos agora.
Essa mudança de estágio seria gradativa ou marcada por eventos bruscos?
Os espíritos falam em desencarnes coletivos, que já estão acontecendo ao longo das décadas. Quando a população do planeta vai evoluindo e começam a aumentar os extremos - no planeta começa a ficar gente muito ruim e gente muito boa -, a convivência fica muito difícil. A
tendência é que esse pessoal da pesada, que ainda não evoluiu, seja transferido para outro planeta que esteja como a Terra é agora. E que os bons fiquem na Terra, que será promovida. Vamos torcer para que a gente esteja nessa parte que vai ficar aqui.
Como é a aceitação do público quando a senhora fala sobre a existência de alma nos animais?
As pessoas aceitam muito bem. Alguns espíritas mais antigos dizem ter dificuldade em acreditar que o homem tenha passado pela chamada fieira animal, que é a expressão que têm nos livros espíritas, mas essa é a interpretação de cada um. A doutrina espírita é muito aberta e não nos obriga a nada. Kardec sempre deixou as coisas muito abertas para que pudéssemos entender no nível de nosso conhecimento. Jesus mesmo falava em parábolas com essa intenção, de que cada um entendesse à sua maneira, de acordo com seu patamar evolutivo.
Normalmente, explora-se em filmes que os animais teriam capacidade de ver espíritos. Isso ocorre?
É sabido que os animais vêem, ouvem e sentem a aproximação de espíritos. Tem aquele caso bíblico da mula de Balaão, em que o anjo se apresentou primeiro à montaria e depois ao próprio Balaão. Eu, que sou nascida no sítio, ouvia muitos casos que tem cavalo que não passa por determinados lugares. Uma possibilidade nesses casos é que seja algum lugar em que eles vejam espíritos ou alguma coisa que não convenha.
http://www.odiariom aringa.com. br/noticia/ 197136/
IRVÊNIA PRADA - Na vivência da minha profissão de veterinária, comecei a me perguntar por que os animais sofrem. Na doutrina espírita, a gente fala que quando as pessoas sofrem elas estão amadurecendo.
Sempre as pessoas relatam que saem amadurecidas e mais espiritualizadas após uma doença ou um grande trauma. E eu via na minha profissão os animais terem câncer, epilepsia, enfim, toda sorte de sofrimento que os homens também têm. Então, resolvi estudar dentro do espiritismo a explicação para o sofrimento dos animais e comecei a entender que eles, como os seres humanos, também estão evoluindo. E nesse processo evolutivo de amadurecimento do espírito, a dor e o sofrimento são subprodutos da evolução.
Qual a dívida de um cachorro para ele passar a vida revirando lixo, enquanto outro só come ração importada?
São todos espíritos em evolução. Como eles também reencarnam e vão ter outras oportunidades, nem sempre eles vão nascer como animais que serão maltratados ou bem cuidados. Os próprios espíritos que cuidam da reencarnação dos animais orientam os animais que sofreram em uma vida para que tenham uma família mais aconchegante. Enfim, em toda essa trajetória evolutiva nós estamos aprendendo, inexoravelmente.
Emmanuel, que é um espírito que nos ajuda muito com suas obras, diz que na escola da vida, onde estamos todos matriculados, as aflições nos impingem esse esforço que chamamos de sofrimento. Ele também diz que nós nem sempre estamos sofrendo para resgatarmos dívidas do passado, mas sim para aprender.
É possível que uma pessoa hoje tenha sido um bicho no passado?
É possível, sim. Porque o chamado princípio inteligente, que é o espírito criado simples e ignorante, vai estar estagiando por milhares de processos reencarnatórios para ir aprendendo. Diz Emmanuel, esse mesmo autor que acabei de citar, que o animal caminha para a condição
de homem, tanto quanto o homem caminha para a condição da plenitude. É um processo evolutivo a que todos tendemos.
A senhora acredita que possamos encontrar nosso animal de estimação "do outro lado", quando morrermos?
Sim. No meu livro "A questão espiritual dos animais", que trata desse assunto, tem um caso que consta do livro "Testemunhos de Chico Xavier", da autora Suely Caldas Schubert. Ela conta que Chico Xavier escreveu uma carta a Vantoil de Freitas, então presidente da Federação
Espírita Brasileira na década de 50. Chico dizia na carta que seu irmão, José, ao desencarnar havia recomendado que ele cuidasse muito bem de seu cachorro, o Lorde. Chico conta que Lorde viveu mais alguns anos, ficou doente e desencarnou. Ele diz que durante o desencarne do cachorro, viu José vir acolher nos braços o espírito de Lorde. Deve ter sido uma cena lindíssima. E ele complementa contando que nos meses que se seguiram, quando José lhe vinha na presença em espírito, estava sempre acompanhado da presença do Lorde aos seus pés. Então, é possível sim que espíritos humanos e espíritos dos animais se reencontrem após o desencarne.
Nesse conceito de que os animais podem virar humanos em outra vida, quem cuida dos bichos também estaria quitando alguns de seus pecados com o próximo?
Dentro da conceituação espírita não existe essa expressão "pecado".
Nós, como seres em evolução, nem sempre nos conduzimos de maneira adequada em determinadas situações. Então, pode ser que, em outra encarnação, tenhamos a oportunidade de rever uma situação semelhante, para agir de uma maneira adequada. Tudo é um aprendizado e nós falamos assim: estamos resgatando débitos do passado. Mas ainda acho que é uma expressão um pouco depreciativa, creio que hoje estamos aprendendo a atuar e a agir de uma forma mais adequada que em situações anteriores.
Acredita-se ser possível que um homem volte em outra vida como animal?
Não. Na questão 612 do Livro dos Espíritos, que é o livro básico da codificação espírita, Allan Kardec faz a mesma pergunta aos espíritos. E a resposta é que não. Isso caracterizaria a doutrina da etempsicose, presente em algumas culturas, como no antigo Egito.
Nenhum espírito retrocede, o rio não remonta à fonte. Então, espíritos umanos jamais encarnariam em corpos de animais. É sempre uma aminhada para frente.
Dentro do conceito de evolução dos espíritos, defendido pela doutrina spírita, onde a Terra não seria o ponto mais alto na escalada do epíritos, é possível que em outras encarnações, ao partir para mundos ais evoluídos, o homem nasça como animal de estimação de seres
superiores?
Não sei dizer se essa situação pode se caracterizar. A gente sabe que ão é só a Terra que é habitada, existem muitos planetas por aí.
Aliás, quando a gente fala em elo perdido na teoria darwiniana, os espíritos dizem que é muito provável que esse elo esteja encarnado em outro planeta. Seria um lugar de período transitório, entre a Terra e outro planeta mais atrasado. Mas essa situação, para adiante da Terra, não sei dizer como deveria ficar. Só sei que há outros mundos habitados por espíritos mais evoluídos. No Livro dos Espíritos tem uma classificação dos espíritos e dos mundos. A última classe seria dos espíritos puros, que são aqueles que já tem toda sabedoria possível e
habitam planetas muito mais evoluídos que a Terra. Nosso planeta é um dos mais atrasados que existem nessa ordem evolutiva. Existe o primeiro nível, que é dos planetas primitivos, como a Terra quando estava na época da pedra lascada. O nosso estágio atual é de provas e
expiações, onde ainda a maldade, a violência e a doença prevalecem. O próximo estágio, ao qual a Terra logo será promovida, é o de planeta de regeneração, onde o esforço para melhorar será maior que o que fazemos agora.
Essa mudança de estágio seria gradativa ou marcada por eventos bruscos?
Os espíritos falam em desencarnes coletivos, que já estão acontecendo ao longo das décadas. Quando a população do planeta vai evoluindo e começam a aumentar os extremos - no planeta começa a ficar gente muito ruim e gente muito boa -, a convivência fica muito difícil. A
tendência é que esse pessoal da pesada, que ainda não evoluiu, seja transferido para outro planeta que esteja como a Terra é agora. E que os bons fiquem na Terra, que será promovida. Vamos torcer para que a gente esteja nessa parte que vai ficar aqui.
Como é a aceitação do público quando a senhora fala sobre a existência de alma nos animais?
As pessoas aceitam muito bem. Alguns espíritas mais antigos dizem ter dificuldade em acreditar que o homem tenha passado pela chamada fieira animal, que é a expressão que têm nos livros espíritas, mas essa é a interpretação de cada um. A doutrina espírita é muito aberta e não nos obriga a nada. Kardec sempre deixou as coisas muito abertas para que pudéssemos entender no nível de nosso conhecimento. Jesus mesmo falava em parábolas com essa intenção, de que cada um entendesse à sua maneira, de acordo com seu patamar evolutivo.
Normalmente, explora-se em filmes que os animais teriam capacidade de ver espíritos. Isso ocorre?
É sabido que os animais vêem, ouvem e sentem a aproximação de espíritos. Tem aquele caso bíblico da mula de Balaão, em que o anjo se apresentou primeiro à montaria e depois ao próprio Balaão. Eu, que sou nascida no sítio, ouvia muitos casos que tem cavalo que não passa por determinados lugares. Uma possibilidade nesses casos é que seja algum lugar em que eles vejam espíritos ou alguma coisa que não convenha.
http://www.odiariom aringa.com. br/noticia/ 197136/
sexta-feira, 20 de maio de 2011
JESUS HUMANO
Jesus humano
Oh Jesus dos desvalidos.
Aqui estou com meus pedidos.
Jesus dos poetas.
Que não me faltem rimas, retas.
Jesus dos trabalhadores
Traz à vida alguns amores.
Pois nesta vida miserável és a única esperança.
Oh Jesus dos homens santos
Ajuda-me a secar os prantos.
Jesus dos perdidos
Não esqueças meus pedidos.
Jesus dos descrentes
Envia-me boas sementes.
Porque és o único em quem confio.
Oh Jesus do povaréu
Mesmo do imenso céu
Abre o coração nobre
E recolhe a súplica do pobre.
Jesus dos derrotados
Há dúvidas se somos amados.
Mas neste mundo tão cego
És o único a quem me entrego.
Jesus de todos: dos passarinhos, dos burricos, dos calangos e marmotas.
Mostra-me novas rotas.
Jesus dos bêbados, dos religiosos, dos cretinos
Leva do mundo os desatinos..
Jesus da África, do Paquistão, de Belém
Guarda-me contigo, amém.
Pois de tantos joões ninguém
Sou o que te quer mais bem.
Do livro “Jesus Humano” de Luiz Gonzaga Pinheiro
DIAS DIFÍCEIS
Há dias que parecem não ter sido feitos para ti.
Amontoam-se tantas dificuldades, inúmeras frustrações e incontáveis aborrecimentos, que chegas a pensar que conduzes o globo do mundo sobre os ombros dilacerados.
Desde cedo, ao te ergueres do leito, pela manhã, encontras a indisposição moral do companheiro ou da companheira, que te arremessa todos os espinhos que o mau humor conseguiu acumular ao longo da noite.
Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.
Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e que os convertem em armas contra os outros; constatas o azedume do funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços exorbitantes, supondo-te imbecil. Mesmo assim, admites que, logo, tudo se alterará, melhorando as situações em torno.
Encontras-te com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma. Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se resolvam com a vida até um novo encontro.
São esses os dias em que as palavras que dizes recebem negativa interpretação, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade. Se falas, ou se calas, desagradas.
Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de autopiedade.
No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de atitudes perturbadores.
São dias de avaliação, de testes impostos pelas regentes leis da vida terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à frente das mais diversas situações da existência.
Quando perceberes que muita coisa à tua volta passa a emitir um som desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo não escapas da ácida crítica, o teu dever será o de te ajustares ao bom senso. Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas, passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que melhor entendas, para que, enfim, evoluas.
Não te olvides de que ouvimos a voz do Mestre Nazareno, há distanciados dois milênios, a dizer-nos: No mundo só tereis aflições...
Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreender que a cada dia basta o seu mal..., tratarás de te recompor, caso tenhas te deixado ferir por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante da ventania. Curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com tranqüilidade, passado o momento difícil.
Há, de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações indispensáveis ao teu processo de evolução. A ti, porém, caberá erguer a fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e agradecer a Deus por poderes afrontar tantos e difíceis desafios, mantendo-te firme, mesmo assim.
Nos dias difíceis da tua existência, procura não te entregares ao pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.
Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.
Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a Terra se encontra engolfada.
Confia na ação e no poder da luz, que o Cristo representa, e segue com entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja qual for ou como for cada um dos teus dias.
Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.
Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e que os convertem em armas contra os outros; constatas o azedume do funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços exorbitantes, supondo-te imbecil. Mesmo assim, admites que, logo, tudo se alterará, melhorando as situações em torno.
Encontras-te com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma. Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se resolvam com a vida até um novo encontro.
São esses os dias em que as palavras que dizes recebem negativa interpretação, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade. Se falas, ou se calas, desagradas.
Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de autopiedade.
No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de atitudes perturbadores.
São dias de avaliação, de testes impostos pelas regentes leis da vida terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à frente das mais diversas situações da existência.
Quando perceberes que muita coisa à tua volta passa a emitir um som desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo não escapas da ácida crítica, o teu dever será o de te ajustares ao bom senso. Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas, passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que melhor entendas, para que, enfim, evoluas.
Não te olvides de que ouvimos a voz do Mestre Nazareno, há distanciados dois milênios, a dizer-nos: No mundo só tereis aflições...
Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreender que a cada dia basta o seu mal..., tratarás de te recompor, caso tenhas te deixado ferir por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante da ventania. Curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com tranqüilidade, passado o momento difícil.
Há, de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações indispensáveis ao teu processo de evolução. A ti, porém, caberá erguer a fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e agradecer a Deus por poderes afrontar tantos e difíceis desafios, mantendo-te firme, mesmo assim.
Nos dias difíceis da tua existência, procura não te entregares ao pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.
Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.
Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a Terra se encontra engolfada.
Confia na ação e no poder da luz, que o Cristo representa, e segue com entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja qual for ou como for cada um dos teus dias.
Amontoam-se tantas dificuldades, inúmeras frustrações e incontáveis aborrecimentos, que chegas a pensar que conduzes o globo do mundo sobre os ombros dilacerados.
Desde cedo, ao te ergueres do leito, pela manhã, encontras a indisposição moral do companheiro ou da companheira, que te arremessa todos os espinhos que o mau humor conseguiu acumular ao longo da noite.
Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.
Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e que os convertem em armas contra os outros; constatas o azedume do funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços exorbitantes, supondo-te imbecil. Mesmo assim, admites que, logo, tudo se alterará, melhorando as situações em torno.
Encontras-te com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma. Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se resolvam com a vida até um novo encontro.
São esses os dias em que as palavras que dizes recebem negativa interpretação, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade. Se falas, ou se calas, desagradas.
Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de autopiedade.
No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de atitudes perturbadores.
São dias de avaliação, de testes impostos pelas regentes leis da vida terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à frente das mais diversas situações da existência.
Quando perceberes que muita coisa à tua volta passa a emitir um som desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo não escapas da ácida crítica, o teu dever será o de te ajustares ao bom senso. Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas, passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que melhor entendas, para que, enfim, evoluas.
Não te olvides de que ouvimos a voz do Mestre Nazareno, há distanciados dois milênios, a dizer-nos: No mundo só tereis aflições...
Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreender que a cada dia basta o seu mal..., tratarás de te recompor, caso tenhas te deixado ferir por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante da ventania. Curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com tranqüilidade, passado o momento difícil.
Há, de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações indispensáveis ao teu processo de evolução. A ti, porém, caberá erguer a fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e agradecer a Deus por poderes afrontar tantos e difíceis desafios, mantendo-te firme, mesmo assim.
Nos dias difíceis da tua existência, procura não te entregares ao pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.
Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.
Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a Terra se encontra engolfada.
Confia na ação e no poder da luz, que o Cristo representa, e segue com entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja qual for ou como for cada um dos teus dias.
Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.
Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e que os convertem em armas contra os outros; constatas o azedume do funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços exorbitantes, supondo-te imbecil. Mesmo assim, admites que, logo, tudo se alterará, melhorando as situações em torno.
Encontras-te com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma. Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se resolvam com a vida até um novo encontro.
São esses os dias em que as palavras que dizes recebem negativa interpretação, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade. Se falas, ou se calas, desagradas.
Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de autopiedade.
No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de atitudes perturbadores.
São dias de avaliação, de testes impostos pelas regentes leis da vida terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à frente das mais diversas situações da existência.
Quando perceberes que muita coisa à tua volta passa a emitir um som desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo não escapas da ácida crítica, o teu dever será o de te ajustares ao bom senso. Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas, passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que melhor entendas, para que, enfim, evoluas.
Não te olvides de que ouvimos a voz do Mestre Nazareno, há distanciados dois milênios, a dizer-nos: No mundo só tereis aflições...
Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreender que a cada dia basta o seu mal..., tratarás de te recompor, caso tenhas te deixado ferir por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante da ventania. Curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com tranqüilidade, passado o momento difícil.
Há, de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações indispensáveis ao teu processo de evolução. A ti, porém, caberá erguer a fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e agradecer a Deus por poderes afrontar tantos e difíceis desafios, mantendo-te firme, mesmo assim.
Nos dias difíceis da tua existência, procura não te entregares ao pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.
Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.
Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a Terra se encontra engolfada.
Confia na ação e no poder da luz, que o Cristo representa, e segue com entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja qual for ou como for cada um dos teus dias.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
MUSICA E ESPIRITISMO
Música e Espiritismo
José Marcelo Gonçalves Coelho
Muitos questionamentos têm sido aventados quanto à pertinência ou não do uso da música em reuniões espíritas, públicas ou mesmo mediúnicas. Alega-se, muito freqüentemente, se não estaríamos incidindo em práticas ritualísticas comuns a outras correntes religiosas. Preliminarmente, recorramos à questão 251, de O Livro dos Espíritos, na qual se faz referência aos encantos da música celeste, praticada nas esferas espirituais elevadas, como sendo “tudo o que de mais belo e delicado pode a imaginação espiritual conceber”.
Em Obras Póstumas, Segunda Parte, temos o relato de uma jovem musicista, que, conduzida pelos protetores espirituais em estado sonambúlico, mergulha em intenso êxtase, ao sentir a magnífica harmonia celestial.
Alguns anos após, o Espírito André Luiz, em sua obra intitulada Nosso Lar, psicografada por Francisco Cândido Xavier, viria nos oferecer fortes subsídios que confirmariam a imprescindibilidade da música nas atividades desenvolvidas no plano espiritual, principalmente às páginas 67 e 68, onde deparamos com decisiva elucidação acerca da temática ora abordada; vejamos:
”Em plena via pública, ouviam-se, tal qual observara à saída, belas melodias atravessando o ar. Notando-me a expressão indagadora, Lísias explicou fraternalmente: Essas músicas procedem das oficinas onde trabalham os habitantes de "Nosso Lar". Após consecutivas observações, reconheceu a Governadoria que a música intensifica o rendimento do serviço, em todos os setores de esforço construtivo. Desde então, ninguém trabalha em “Nosso Lar” sem esse estímulo de alegria”.
No capítulo 45, daquela mesma obra, o autor espiritual discorre sobre as atividades no “Campo da Música”, aprazível localidade destinada aos mais interessantes exercícios musicais, onde, inclusive, teve a grata oportunidade de maravilhar-se com um belíssimo hino, cantado por duas mil vozes simultâneas.
Ressalte-se, oportunamente, que o Espiritismo há de concorrer decisivamente para o processo de sublimação da música no planeta em que vivemos, como conseqüência de sua salutar influência na reforma moral dos homens. A propósito, transcrevemos uma interessante orientação, inserida em Obras Póstumas, também na Segunda Parte, na qual o Espírito Rossini, que na Terra foi conhecido compositor lírico italiano, fala-nos sobre a ação que a Doutrina Espírita certamente terá como elemento refinador das composições musicais, tendo assim se expressado:
“O Espiritismo, moralizando os homens, exercerá, pois, grande influência sobre a música. Produzirá mais compositores virtuosos, que comunicarão suas virtudes através de suas composições.(...) Por outro lado, os ouvintes que o Espiritismo preparar para receber mais facilmente a harmonia, sentirão verdadeiro encantamento ao ouvir a música séria; desprezarão a música frívola e licenciosa, que seduz as massas”.
Plenamente justificada, então, a utilização da música, em qualquer de suas manifestações, desde que consonante com os objetivos superiores a que nos dediquemos, notadamente no ambiente espírita, guardando-se a devida cautela na seleção das melodias a serem entoadas, de modo a conduzir encarnados e desencarnados a um clima mental satisfatório.
Por extensão, a música far-se-á poderoso e legítimo coadjuvante na condução dos ensinamentos espíritas, seja nas tarefas de evangelização da infância e da juventude; nas preliminares ou encerramento de reuniões públicas e mediúnicas, ou em quaisquer outras ocasiões em que a Doutrina Espírita se apresente.
Deixemo-nos levar, portanto, pelas melodias edificantes que o mundo nos ofereça, ou que as nossas vozes ou instrumentos possam produzir, reconhecendo que, onde quer que se situe, a música, desde que sublime, é prece que enleva e enobrece o espírito eterno que todos somos, permitindo-nos entrar em estreita comunhão com os planos superiores da expressão espiritual.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
ESTUDO DE 18/05/11-QUE DEUS NOS ILUMINE
861 O homem que comete um homicídio sabe, ao escolher sua
existência, que se tornará um assassino?
– Não. Sabe que, escolhendo uma determinada espécie de vida,
poderá ter a possibilidade de matar um de seus semelhantes, mas não
sabe se o fará porque há nele, quase sempre, uma decisão antes de
cometer qualquer ação; portanto, aquele que delibera sobre uma coisa é
sempre livre para fazê-la ou não. Se o Espírito soubesse antecipadamente
que, como homem, deveria cometer um assassinato, é porque isso estava
predestinado. Sabei que ninguém foi predestinado ao crime e todo
crime, como todo e qualquer ato, é sempre o resultado da vontade e do
livre-arbítrio.
Além disso, confundis sempre duas coisas bem distintas: os acontecimentos
materiais da vida e os atos da vida moral. Se algumas vezes
existe fatalidade, é nos acontecimentos materiais cuja causa está fora de
vós e são independentes de vossa vontade. Quanto aos atos da vida
moral, esses emanam sempre do próprio homem, que sempre tem, conseqüentemente,
a liberdade de escolha. Para esses atos, nunca existe
fatalidade.
862 Existem pessoas para as quais nada sai bem e que um mau
gênio parece perseguir em todas as suas ações; não está aí o que
podemos chamar de fatalidade?
– É uma fatalidade, se quiserdes chamar assim, mas é decorrente da
escolha que essa pessoa fez para a presente existência, porque há pessoas
que quiseram ser provadas por uma vida de decepção, para exercitar
sua paciência e sua resignação. Não acrediteis, entretanto, que essa fatalidade
seja absoluta; muitas vezes é o resultado do falso caminho que
tomaram e que nada têm a ver com sua inteligência e suas aptidões. Aquele
que deseja atravessar um rio a nado sem saber nadar tem grande probabilidade
de se afogar; assim é com a maioria dos acontecimentos da vida.
Se o homem somente empreendesse coisas compatíveis e de acordo
com suas capacidades, quase sempre teria êxito. O que faz com que se
perca é seu amor-próprio e sua ambição, que o fazem sair de seu caminho
e o induzem a considerar como vocação o desejo de satisfazer certas
paixões. Ele fracassa e é por sua culpa; mas, em vez de admiti-la espontaneamente,
prefere acusar sua estrela. Seria melhor ter sido um bom
trabalhador e ganho honestamente a vida do que ser um mau poeta e
morrer de fome. Haveria lugar para todos, se cada um soubesse se colocar
em seu lugar.
863 Os costumes sociais não obrigam o homem a seguir determinado
caminho em vez de outro, e ele não está submetido ao controle
da opinião geral na escolha de suas ocupações? O que se chama
de respeito humano não é um obstáculo ao exercício do livre-arbítrio?
– São os homens que fazem os costumes sociais e não Deus. Se a
eles se submetem, é porque lhes convêm, e isso é ainda um ato de seu
livre-arbítrio, uma vez que, se quisessem, poderiam libertar-se deles; então,
por que se lamentar? Não são os costumes sociais que devem acusar,
mas seu tolo amor-próprio, que os leva a preferir morrer de fome a abandoná-
lo. Ninguém levará em conta esse sacrifício feito à opinião pública,
enquanto Deus levará em conta o sacrifício que fizerem à sua vaidade.
Isso não quer dizer que seja preciso afrontar essa opinião sem necessida-
de, como fazem algumas pessoas que têm mais originalidade do que verdadeira
filosofia. Há tanto desatino em alguém se fazer objeto de crítica ou
parecer um animal selvagem quanto existe sabedoria em descer voluntariamente
e sem reclamar, quando não se pode permanecer no topo da escala.
864 Existem pessoas para as quais a sorte é contrária, outras
parecem favorecidas, pois tudo lhes sai bem; a que se deve isso?
– Freqüentemente porque elas sabem orientar-se melhor; mas isso
pode ser também um gênero de prova. O sucesso as embriaga; elas confiam
em seu destino e freqüentemente acabam pagando mais tarde esses
mesmos sucessos com cruéis revezes, que poderiam ter evitado com a
prudência.
865 Como explicar a sorte que favorece certas pessoas nas circunstâncias
em que nem a vontade nem a inteligência interferem? O
jogo, por exemplo?
– Alguns Espíritos escolheram antecipadamente certas espécies de
prazer; a sorte que os favorece é uma tentação. Quem ganha como homem
perde como Espírito; é uma prova para seu orgulho e sua cobiça.
866 A fatalidade que parece marcar os destinos materiais de nossa
vida seria, também, o efeito de nosso livre-arbítrio?
– Vós mesmos escolhestes vossa prova; quanto mais for rude e melhor
a suportardes, mais vos elevareis. Aqueles que passam a vida na abundância
e na felicidade humana são Espíritos fracos, que permanecem
estacionários. Assim, o número de desafortunados ultrapassa em muito o
dos felizes neste mundo, já que os Espíritos procuram, na maior parte, a
prova que será mais proveitosa. Eles vêm muito bem a futilidade de vossas
grandezas e prazeres. Aliás, a vida mais feliz é sempre agitada, sempre
inquieta, apesar da ausência da dor. (Veja a questão 525 e seguintes)
867 De onde vem a expressão nascer sob uma boa estrela?
– Velha superstição que ligava as estrelas ao destino de cada
homem. É uma simbologia que algumas pessoas fazem a tolice de levar
a sério.
CONHECIMENTO DO FUTURO
868 O futuro pode ser revelado ao homem?
– Em princípio, o futuro é desconhecido e apenas em casos raros ou
excepcionais Deus permite que seja revelado.
869 Com que objetivo o futuro é oculto ao homem?
– Se conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não agiria com
a mesma liberdade, porque seria dominado pelo pensamento de que, se
uma coisa deve acontecer, não tem por que se preocupar, ou procuraria
dificultar o acontecimento. Deus quis que assim fosse, para que cada um
cooperasse no cumprimento das coisas, até mesmo daquelas a que gostaria
de se opor. Assim, preparais, vós mesmos, freqüentemente sem
desconfiar disso, os acontecimentos que sucederão no curso de vossa
vida.
870 Mas se é útil que o futuro seja oculto, por que Deus permite
algumas vezes sua revelação?
– Permite, quando esse conhecimento prévio deva facilitar o cumprimento
de algo em vez de dificultá-lo, ficando obrigado o homem a agir de
modo diferente do que faria sem esse conhecimento. Além disso, é, freqüentemente,
uma prova. A perspectiva de um acontecimento pode
despertar pensamentos bons ou maus. Se um homem souber, por exemplo,
que receberá uma herança com que não contava, pode ser que essa
revelação desperte nele a cobiça, pela expectativa de aumentar seus prazeres
terrestres, pelo desejo de se apossar de imediato da herança,
desejando, talvez, a morte daquele que lhe deve deixar a fortuna. Ou,
então, essa perspectiva pode despertar-lhe bons sentimentos e pensamentos
generosos. Se a predição não se cumpre, sofrerá uma outra prova:
a decepção. Mas ele não terá, por isso, mérito ou demérito pelos pensamentos
bons ou maus que a expectativa do acontecimento ocasionou.
871 Uma vez que Deus sabe tudo, sabe, igualmente, se um homem
deve fracassar ou não numa prova? Nesse caso, qual é a necessidade
dessa prova, que nada acrescentará ao que Deus já sabe a
respeito desse homem?
– É o mesmo que perguntar por que Deus não criou o homem perfeito
e realizado; (Veja a questão 119.) por que o homem passa pela infância
antes de atingir a idade adulta. (Veja a questão 379.) A prova não tem a
finalidade de esclarecer a Deus sobre o mérito dessa pessoa, visto que
sabe perfeitamente para que a prova lhe serve, mas, sim, para a deixar
com toda a responsabilidade de sua ação, uma vez que é livre para fazer
ou não. Tendo o homem a escolha entre o bem e o mal, a prova tem a
finalidade de colocá-lo em luta com a tentação do mal e lhe deixar todo o
mérito da resistência. Embora saiba muito bem, antecipadamente, se triunfará
ou não, Deus não pode, em Sua justiça, puni-lo nem recompensá-lo
por um ato que ainda não foi praticado. (Veja a questão 258.)
G Assim acontece entre os homens. Por mais capaz que seja um estudante,
qualquer certeza que se tenha de vê-lo triunfar, não se confere a
ele nenhum grau sem exame, ou seja, sem prova; do mesmo modo, o
juiz não condena um acusado senão por um ato consumado e não por
prever que ele possa consumar esse ato.
Quanto mais se examinam as conseqüências que resultariam para
o homem se tivesse o conhecimento do futuro, mais se vê quanto a
Providência foi sábia em ocultá-lo. A certeza de um acontecimento feliz
o mergulharia na inércia; a de um acontecimento infeliz, no desencoraja-
mento; tanto em um quanto em outro, suas forças estariam paralisadas.
Por isso o futuro é apenas mostrado ao homem como um objetivo que
deve atingir por seus esforços, mas sem conhecer o processo pelo qual
deve passar para atingi-lo. O conhecimento de todos os incidentes do
caminho lhe diminuiria a iniciativa e o uso de seu livre-arbítrio; ele se
deixaria levar pela fatalidade dos acontecimentos, sem exercer suas
aptidões. Quando o sucesso de uma coisa é assegurado, ninguém se
preocupa mais com ela.
RESUMO TEÓRICO DA MOTIVAÇÃO DAS
AÇÕES DO HOMEM
872 A questão de ter a vontade livre, isto é, o livre-arbítrio, pode se
resumir assim: a criatura humana não é fatalmente conduzida ao mal; os
atos que pratica não estavam antecipadamente determinados; os crimes
que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, como
prova e expiação, escolher uma existência em que terá a sedução para o
crime, seja pelo meio em que se encontre ou pelos atos em que tomará
parte, mas está constantemente livre para agir ou não. Assim, o livre-arbítrio
existe no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas, e no
estado corporal, na disposição de ceder ou de resistir aos arrastamentos a
que estamos voluntariamente submetidos. Cabe à educação combater essas
más tendências; ela o fará utilmente quando estiver baseada no estudo
aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que
regem essa natureza moral será possível modificá-la, como se modifica a
inteligência pela instrução, e como a higiene, que preserva a saúde e previne
as doenças, modifica o temperamento. O Espírito livre da matéria, no
intervalo das encarnações, faz a escolha de suas existências corporais futuras,
de acordo com o grau de perfeição que atingiu, e nisso, como dissemos,
consiste principalmente o seu livre-arbítrio. Essa liberdade não é anulada
pela encarnação. Se cede à influência da matéria é porque fracassa
nas próprias provas que escolheu, e para ajudá-lo a superá-las pode evocar
a assistência de Deus e dos bons Espíritos. (Veja a questão 337.)
Sem o livre-arbítrio o homem não teria nem culpa na prática do mal,
nem mérito no bem; e isso é igualmente reconhecido no mundo, onde
sempre se faz censura ou elogio à intenção, ou seja, à vontade; portanto,
quem diz vontade diz liberdade. Eis por que o homem não pode justificar
ou desculpar suas faltas atribuindo-as ao seu corpo sem abdicar da razão
e da condição de ser humano para se igualar ao irracional. Se o corpo
humano fosse responsável pela ação para o mal, o seria igualmente na
ação para o bem. Entretanto, quando o homem faz o bem, tem grande
cuidado para evidenciar o fato em seu favor, como mérito seu, e não exalta
ou gratifica seus órgãos. Isso prova que, instintivamente, ele não renuncia
apesar da opinião de alguns filósofos sistemáticos, ao mais belo dos privilégios
de sua espécie: a liberdade de pensar.
A fatalidade, como se entende geralmente, faz supor que todos os
acontecimentos da vida estão prévia e irrevogavelmente decididos, e estão
na ordem das coisas, seja qual for sua importância. Se assim fosse, o
homem seria uma máquina sem vontade. Para que serviria sua inteligência,
uma vez que em todos os atos seria invariavelmente dominado pelo
poder do destino? Uma doutrina assim, se fosse verdadeira, teria em si a
destruição de toda liberdade moral; não haveria mais responsabilidade
para o homem e, conseqüentemente, nem bem, nem mal, nem crimes,
nem virtudes. Deus, soberanamente justo, não poderia castigar suas criaturas
por faltas que não dependeram delas nem recompensá-las pelas
virtudes das quais não teriam o mérito. Uma lei assim seria, além disso, a
negação da lei do progresso, porque o homem que esperasse tudo do
destino nada tentaria para melhorar sua posição, já que não conseguiria
mudá-la nem para melhor nem para pior.
A fatalidade não é, entretanto, uma idéia vã; ela existe na posição que
o homem ocupa na Terra e nas funções que aí cumpre, por conseqüência
do gênero de existência que seu Espírito escolheu como prova, expiação
ou missão. Ele sofre, fatalmente, todas as alternâncias dessa existência e
todas as tendências, boas ou más, que lhe são próprias; porém, termina aí
a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou não a essas tendências.
O detalhe dos acontecimentos depende das circunstâncias que
ele mesmo provoca por seus atos e sobre as quais os Espíritos podem
influenciar pelos pensamentos que sugerem. (Veja a questão 459.)
A fatalidade está, portanto, para o homem, nos acontecimentos que
se apresentam, uma vez que são a conseqüência da escolha da existência
que o Espírito fez. Pode deixar de ocorrer a fatalidade no resultado dos
acontecimentos, quando o homem, usando de prudência, modifica-lhes o
curso. Nunca há fatalidade nos atos da vida moral.
É na morte que o homem está submetido, de uma maneira absoluta, à
implacável lei da fatalidade, porque não pode escapar da sentença que fixa
o fim de sua existência, nem do gênero de morte que deve interrompê-la.
De acordo com a opinião geral, o homem possuiria todos os seus
instintos em si mesmo; eles procederiam de seu próprio corpo, pelos quais
não poderia ser responsável, ou de sua própria natureza, na qual pode
encontrar uma desculpa, para si mesmo, dizendo que não é sua culpa,
uma vez que foi criado assim.
existência, que se tornará um assassino?
– Não. Sabe que, escolhendo uma determinada espécie de vida,
poderá ter a possibilidade de matar um de seus semelhantes, mas não
sabe se o fará porque há nele, quase sempre, uma decisão antes de
cometer qualquer ação; portanto, aquele que delibera sobre uma coisa é
sempre livre para fazê-la ou não. Se o Espírito soubesse antecipadamente
que, como homem, deveria cometer um assassinato, é porque isso estava
predestinado. Sabei que ninguém foi predestinado ao crime e todo
crime, como todo e qualquer ato, é sempre o resultado da vontade e do
livre-arbítrio.
Além disso, confundis sempre duas coisas bem distintas: os acontecimentos
materiais da vida e os atos da vida moral. Se algumas vezes
existe fatalidade, é nos acontecimentos materiais cuja causa está fora de
vós e são independentes de vossa vontade. Quanto aos atos da vida
moral, esses emanam sempre do próprio homem, que sempre tem, conseqüentemente,
a liberdade de escolha. Para esses atos, nunca existe
fatalidade.
862 Existem pessoas para as quais nada sai bem e que um mau
gênio parece perseguir em todas as suas ações; não está aí o que
podemos chamar de fatalidade?
– É uma fatalidade, se quiserdes chamar assim, mas é decorrente da
escolha que essa pessoa fez para a presente existência, porque há pessoas
que quiseram ser provadas por uma vida de decepção, para exercitar
sua paciência e sua resignação. Não acrediteis, entretanto, que essa fatalidade
seja absoluta; muitas vezes é o resultado do falso caminho que
tomaram e que nada têm a ver com sua inteligência e suas aptidões. Aquele
que deseja atravessar um rio a nado sem saber nadar tem grande probabilidade
de se afogar; assim é com a maioria dos acontecimentos da vida.
Se o homem somente empreendesse coisas compatíveis e de acordo
com suas capacidades, quase sempre teria êxito. O que faz com que se
perca é seu amor-próprio e sua ambição, que o fazem sair de seu caminho
e o induzem a considerar como vocação o desejo de satisfazer certas
paixões. Ele fracassa e é por sua culpa; mas, em vez de admiti-la espontaneamente,
prefere acusar sua estrela. Seria melhor ter sido um bom
trabalhador e ganho honestamente a vida do que ser um mau poeta e
morrer de fome. Haveria lugar para todos, se cada um soubesse se colocar
em seu lugar.
863 Os costumes sociais não obrigam o homem a seguir determinado
caminho em vez de outro, e ele não está submetido ao controle
da opinião geral na escolha de suas ocupações? O que se chama
de respeito humano não é um obstáculo ao exercício do livre-arbítrio?
– São os homens que fazem os costumes sociais e não Deus. Se a
eles se submetem, é porque lhes convêm, e isso é ainda um ato de seu
livre-arbítrio, uma vez que, se quisessem, poderiam libertar-se deles; então,
por que se lamentar? Não são os costumes sociais que devem acusar,
mas seu tolo amor-próprio, que os leva a preferir morrer de fome a abandoná-
lo. Ninguém levará em conta esse sacrifício feito à opinião pública,
enquanto Deus levará em conta o sacrifício que fizerem à sua vaidade.
Isso não quer dizer que seja preciso afrontar essa opinião sem necessida-
de, como fazem algumas pessoas que têm mais originalidade do que verdadeira
filosofia. Há tanto desatino em alguém se fazer objeto de crítica ou
parecer um animal selvagem quanto existe sabedoria em descer voluntariamente
e sem reclamar, quando não se pode permanecer no topo da escala.
864 Existem pessoas para as quais a sorte é contrária, outras
parecem favorecidas, pois tudo lhes sai bem; a que se deve isso?
– Freqüentemente porque elas sabem orientar-se melhor; mas isso
pode ser também um gênero de prova. O sucesso as embriaga; elas confiam
em seu destino e freqüentemente acabam pagando mais tarde esses
mesmos sucessos com cruéis revezes, que poderiam ter evitado com a
prudência.
865 Como explicar a sorte que favorece certas pessoas nas circunstâncias
em que nem a vontade nem a inteligência interferem? O
jogo, por exemplo?
– Alguns Espíritos escolheram antecipadamente certas espécies de
prazer; a sorte que os favorece é uma tentação. Quem ganha como homem
perde como Espírito; é uma prova para seu orgulho e sua cobiça.
866 A fatalidade que parece marcar os destinos materiais de nossa
vida seria, também, o efeito de nosso livre-arbítrio?
– Vós mesmos escolhestes vossa prova; quanto mais for rude e melhor
a suportardes, mais vos elevareis. Aqueles que passam a vida na abundância
e na felicidade humana são Espíritos fracos, que permanecem
estacionários. Assim, o número de desafortunados ultrapassa em muito o
dos felizes neste mundo, já que os Espíritos procuram, na maior parte, a
prova que será mais proveitosa. Eles vêm muito bem a futilidade de vossas
grandezas e prazeres. Aliás, a vida mais feliz é sempre agitada, sempre
inquieta, apesar da ausência da dor. (Veja a questão 525 e seguintes)
867 De onde vem a expressão nascer sob uma boa estrela?
– Velha superstição que ligava as estrelas ao destino de cada
homem. É uma simbologia que algumas pessoas fazem a tolice de levar
a sério.
CONHECIMENTO DO FUTURO
868 O futuro pode ser revelado ao homem?
– Em princípio, o futuro é desconhecido e apenas em casos raros ou
excepcionais Deus permite que seja revelado.
869 Com que objetivo o futuro é oculto ao homem?
– Se conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não agiria com
a mesma liberdade, porque seria dominado pelo pensamento de que, se
uma coisa deve acontecer, não tem por que se preocupar, ou procuraria
dificultar o acontecimento. Deus quis que assim fosse, para que cada um
cooperasse no cumprimento das coisas, até mesmo daquelas a que gostaria
de se opor. Assim, preparais, vós mesmos, freqüentemente sem
desconfiar disso, os acontecimentos que sucederão no curso de vossa
vida.
870 Mas se é útil que o futuro seja oculto, por que Deus permite
algumas vezes sua revelação?
– Permite, quando esse conhecimento prévio deva facilitar o cumprimento
de algo em vez de dificultá-lo, ficando obrigado o homem a agir de
modo diferente do que faria sem esse conhecimento. Além disso, é, freqüentemente,
uma prova. A perspectiva de um acontecimento pode
despertar pensamentos bons ou maus. Se um homem souber, por exemplo,
que receberá uma herança com que não contava, pode ser que essa
revelação desperte nele a cobiça, pela expectativa de aumentar seus prazeres
terrestres, pelo desejo de se apossar de imediato da herança,
desejando, talvez, a morte daquele que lhe deve deixar a fortuna. Ou,
então, essa perspectiva pode despertar-lhe bons sentimentos e pensamentos
generosos. Se a predição não se cumpre, sofrerá uma outra prova:
a decepção. Mas ele não terá, por isso, mérito ou demérito pelos pensamentos
bons ou maus que a expectativa do acontecimento ocasionou.
871 Uma vez que Deus sabe tudo, sabe, igualmente, se um homem
deve fracassar ou não numa prova? Nesse caso, qual é a necessidade
dessa prova, que nada acrescentará ao que Deus já sabe a
respeito desse homem?
– É o mesmo que perguntar por que Deus não criou o homem perfeito
e realizado; (Veja a questão 119.) por que o homem passa pela infância
antes de atingir a idade adulta. (Veja a questão 379.) A prova não tem a
finalidade de esclarecer a Deus sobre o mérito dessa pessoa, visto que
sabe perfeitamente para que a prova lhe serve, mas, sim, para a deixar
com toda a responsabilidade de sua ação, uma vez que é livre para fazer
ou não. Tendo o homem a escolha entre o bem e o mal, a prova tem a
finalidade de colocá-lo em luta com a tentação do mal e lhe deixar todo o
mérito da resistência. Embora saiba muito bem, antecipadamente, se triunfará
ou não, Deus não pode, em Sua justiça, puni-lo nem recompensá-lo
por um ato que ainda não foi praticado. (Veja a questão 258.)
G Assim acontece entre os homens. Por mais capaz que seja um estudante,
qualquer certeza que se tenha de vê-lo triunfar, não se confere a
ele nenhum grau sem exame, ou seja, sem prova; do mesmo modo, o
juiz não condena um acusado senão por um ato consumado e não por
prever que ele possa consumar esse ato.
Quanto mais se examinam as conseqüências que resultariam para
o homem se tivesse o conhecimento do futuro, mais se vê quanto a
Providência foi sábia em ocultá-lo. A certeza de um acontecimento feliz
o mergulharia na inércia; a de um acontecimento infeliz, no desencoraja-
mento; tanto em um quanto em outro, suas forças estariam paralisadas.
Por isso o futuro é apenas mostrado ao homem como um objetivo que
deve atingir por seus esforços, mas sem conhecer o processo pelo qual
deve passar para atingi-lo. O conhecimento de todos os incidentes do
caminho lhe diminuiria a iniciativa e o uso de seu livre-arbítrio; ele se
deixaria levar pela fatalidade dos acontecimentos, sem exercer suas
aptidões. Quando o sucesso de uma coisa é assegurado, ninguém se
preocupa mais com ela.
RESUMO TEÓRICO DA MOTIVAÇÃO DAS
AÇÕES DO HOMEM
872 A questão de ter a vontade livre, isto é, o livre-arbítrio, pode se
resumir assim: a criatura humana não é fatalmente conduzida ao mal; os
atos que pratica não estavam antecipadamente determinados; os crimes
que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, como
prova e expiação, escolher uma existência em que terá a sedução para o
crime, seja pelo meio em que se encontre ou pelos atos em que tomará
parte, mas está constantemente livre para agir ou não. Assim, o livre-arbítrio
existe no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas, e no
estado corporal, na disposição de ceder ou de resistir aos arrastamentos a
que estamos voluntariamente submetidos. Cabe à educação combater essas
más tendências; ela o fará utilmente quando estiver baseada no estudo
aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que
regem essa natureza moral será possível modificá-la, como se modifica a
inteligência pela instrução, e como a higiene, que preserva a saúde e previne
as doenças, modifica o temperamento. O Espírito livre da matéria, no
intervalo das encarnações, faz a escolha de suas existências corporais futuras,
de acordo com o grau de perfeição que atingiu, e nisso, como dissemos,
consiste principalmente o seu livre-arbítrio. Essa liberdade não é anulada
pela encarnação. Se cede à influência da matéria é porque fracassa
nas próprias provas que escolheu, e para ajudá-lo a superá-las pode evocar
a assistência de Deus e dos bons Espíritos. (Veja a questão 337.)
Sem o livre-arbítrio o homem não teria nem culpa na prática do mal,
nem mérito no bem; e isso é igualmente reconhecido no mundo, onde
sempre se faz censura ou elogio à intenção, ou seja, à vontade; portanto,
quem diz vontade diz liberdade. Eis por que o homem não pode justificar
ou desculpar suas faltas atribuindo-as ao seu corpo sem abdicar da razão
e da condição de ser humano para se igualar ao irracional. Se o corpo
humano fosse responsável pela ação para o mal, o seria igualmente na
ação para o bem. Entretanto, quando o homem faz o bem, tem grande
cuidado para evidenciar o fato em seu favor, como mérito seu, e não exalta
ou gratifica seus órgãos. Isso prova que, instintivamente, ele não renuncia
apesar da opinião de alguns filósofos sistemáticos, ao mais belo dos privilégios
de sua espécie: a liberdade de pensar.
A fatalidade, como se entende geralmente, faz supor que todos os
acontecimentos da vida estão prévia e irrevogavelmente decididos, e estão
na ordem das coisas, seja qual for sua importância. Se assim fosse, o
homem seria uma máquina sem vontade. Para que serviria sua inteligência,
uma vez que em todos os atos seria invariavelmente dominado pelo
poder do destino? Uma doutrina assim, se fosse verdadeira, teria em si a
destruição de toda liberdade moral; não haveria mais responsabilidade
para o homem e, conseqüentemente, nem bem, nem mal, nem crimes,
nem virtudes. Deus, soberanamente justo, não poderia castigar suas criaturas
por faltas que não dependeram delas nem recompensá-las pelas
virtudes das quais não teriam o mérito. Uma lei assim seria, além disso, a
negação da lei do progresso, porque o homem que esperasse tudo do
destino nada tentaria para melhorar sua posição, já que não conseguiria
mudá-la nem para melhor nem para pior.
A fatalidade não é, entretanto, uma idéia vã; ela existe na posição que
o homem ocupa na Terra e nas funções que aí cumpre, por conseqüência
do gênero de existência que seu Espírito escolheu como prova, expiação
ou missão. Ele sofre, fatalmente, todas as alternâncias dessa existência e
todas as tendências, boas ou más, que lhe são próprias; porém, termina aí
a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou não a essas tendências.
O detalhe dos acontecimentos depende das circunstâncias que
ele mesmo provoca por seus atos e sobre as quais os Espíritos podem
influenciar pelos pensamentos que sugerem. (Veja a questão 459.)
A fatalidade está, portanto, para o homem, nos acontecimentos que
se apresentam, uma vez que são a conseqüência da escolha da existência
que o Espírito fez. Pode deixar de ocorrer a fatalidade no resultado dos
acontecimentos, quando o homem, usando de prudência, modifica-lhes o
curso. Nunca há fatalidade nos atos da vida moral.
É na morte que o homem está submetido, de uma maneira absoluta, à
implacável lei da fatalidade, porque não pode escapar da sentença que fixa
o fim de sua existência, nem do gênero de morte que deve interrompê-la.
De acordo com a opinião geral, o homem possuiria todos os seus
instintos em si mesmo; eles procederiam de seu próprio corpo, pelos quais
não poderia ser responsável, ou de sua própria natureza, na qual pode
encontrar uma desculpa, para si mesmo, dizendo que não é sua culpa,
uma vez que foi criado assim.
ESTUDOS DE 18/05/2011
Que Deus derrame sobre nós sua luz e que o Plano Espiritual nos ilumine para que este assunto seja claro a quem ler.
861 O homem que comete um homicídio sabe, ao escolher sua
existência, que se tornará um assassino?
– Não. Sabe que, escolhendo uma determinada espécie de vida,
poderá ter a possibilidade de matar um de seus semelhantes, mas não
sabe se o fará porque há nele, quase sempre, uma decisão antes de
cometer qualquer ação; portanto, aquele que delibera sobre uma coisa é
sempre livre para fazê-la ou não. Se o Espírito soubesse antecipadamente
que, como homem, deveria cometer um assassinato, é porque isso estava
predestinado. Sabei que ninguém foi predestinado ao crime e todo
crime, como todo e qualquer ato, é sempre o resultado da vontade e do
livre-arbítrio.
Além disso, confundis sempre duas coisas bem distintas: os acontecimentos
materiais da vida e os atos da vida moral. Se algumas vezes
existe fatalidade, é nos acontecimentos materiais cuja causa está fora de
vós e são independentes de vossa vontade. Quanto aos atos da vida
moral, esses emanam sempre do próprio homem, que sempre tem, conseqüentemente,
a liberdade de escolha. Para esses atos, nunca existe
fatalidade.
862 Existem pessoas para as quais nada sai bem e que um mau
gênio parece perseguir em todas as suas ações; não está aí o que
podemos chamar de fatalidade?
– É uma fatalidade, se quiserdes chamar assim, mas é decorrente da
escolha que essa pessoa fez para a presente existência, porque há pessoas
que quiseram ser provadas por uma vida de decepção, para exercitar
sua paciência e sua resignação. Não acrediteis, entretanto, que essa fatalidade
seja absoluta; muitas vezes é o resultado do falso caminho que
tomaram e que nada têm a ver com sua inteligência e suas aptidões. Aquele
que deseja atravessar um rio a nado sem saber nadar tem grande probabilidade
de se afogar; assim é com a maioria dos acontecimentos da vida.
Se o homem somente empreendesse coisas compatíveis e de acordo
com suas capacidades, quase sempre teria êxito. O que faz com que se
perca é seu amor-próprio e sua ambição, que o fazem sair de seu caminho
e o induzem a considerar como vocação o desejo de satisfazer certas
paixões. Ele fracassa e é por sua culpa; mas, em vez de admiti-la espontaneamente,
prefere acusar sua estrela. Seria melhor ter sido um bom
trabalhador e ganho honestamente a vida do que ser um mau poeta e
morrer de fome. Haveria lugar para todos, se cada um soubesse se colocar
em seu lugar.
863 Os costumes sociais não obrigam o homem a seguir determinado
caminho em vez de outro, e ele não está submetido ao controle
da opinião geral na escolha de suas ocupações? O que se chama
de respeito humano não é um obstáculo ao exercício do livre-arbítrio?
– São os homens que fazem os costumes sociais e não Deus. Se a
eles se submetem, é porque lhes convêm, e isso é ainda um ato de seu
livre-arbítrio, uma vez que, se quisessem, poderiam libertar-se deles; então,
por que se lamentar? Não são os costumes sociais que devem acusar,
mas seu tolo amor-próprio, que os leva a preferir morrer de fome a abandoná-
lo. Ninguém levará em conta esse sacrifício feito à opinião pública,
enquanto Deus levará em conta o sacrifício que fizerem à sua vaidade.
Isso não quer dizer que seja preciso afrontar essa opinião sem necessidade-
como fazem algumas pessoas que têm mais originalidade do que verdadeira
filosofia. Há tanto desatino em alguém se fazer objeto de crítica ou
parecer um animal selvagem quanto existe sabedoria em descer voluntariamente
e sem reclamar, quando não se pode permanecer no topo da escala.
864 Existem pessoas para as quais a sorte é contrária, outras
parecem favorecidas, pois tudo lhes sai bem; a que se deve isso?
– Freqüentemente porque elas sabem orientar-se melhor; mas isso
pode ser também um gênero de prova. O sucesso as embriaga; elas confiam
em seu destino e freqüentemente acabam pagando mais tarde esses
mesmos sucessos com cruéis revezes, que poderiam ter evitado com a
prudência.
865 Como explicar a sorte que favorece certas pessoas nas circunstâncias
em que nem a vontade nem a inteligência interferem? O jogo, por exemplo?
– Alguns Espíritos escolheram antecipadamente certas espécies de
prazer; a sorte que os favorece é uma tentação. Quem ganha como homem
perde como Espírito; é uma prova para seu orgulho e sua cobiça.
866 A fatalidade que parece marcar os destinos materiais de nossa
vida seria, também, o efeito de nosso livre-arbítrio?
– Vós mesmos escolhestes vossa prova; quanto mais for rude e melhor
a suportardes, mais vos elevareis. Aqueles que passam a vida na abundância
e na felicidade humana são Espíritos fracos, que permanecem
estacionários. Assim, o número de desafortunados ultrapassa em muito o
dos felizes neste mundo, já que os Espíritos procuram, na maior parte, a
prova que será mais proveitosa. Eles vêm muito bem a futilidade de vossas
grandezas e prazeres. Aliás, a vida mais feliz é sempre agitada, sempre
inquieta, apesar da ausência da dor. (Veja a questão 525 e seguintes)
867 De onde vem a expressão nascer sob uma boa estrela?
– Velha superstição que ligava as estrelas ao destino de cada
homem. É uma simbologia que algumas pessoas fazem a tolice de levar
a sério.
CONHECIMENTO DO FUTURO
868 O futuro pode ser revelado ao homem?
– Em princípio, o futuro é desconhecido e apenas em casos raros ou
excepcionais Deus permite que seja revelado.
869 Com que objetivo o futuro é oculto ao homem?
– Se conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não agiria com
a mesma liberdade, porque seria dominado pelo pensamento de que, se
uma coisa deve acontecer, não tem por que se preocupar, ou procuraria
dificultar o acontecimento. Deus quis que assim fosse, para que cada um
cooperasse no cumprimento das coisas, até mesmo daquelas a que gostaria
de se opor. Assim, preparais, vós mesmos, freqüentemente sem
desconfiar disso, os acontecimentos que sucederão no curso de vossa
vida.
870 Mas se é útil que o futuro seja oculto, por que Deus permite
algumas vezes sua revelação?
– Permite, quando esse conhecimento prévio deva facilitar o cumprimento
de algo em vez de dificultá-lo, ficando obrigado o homem a agir de
modo diferente do que faria sem esse conhecimento. Além disso, é, freqüentemente,
uma prova. A perspectiva de um acontecimento pode
despertar pensamentos bons ou maus. Se um homem souber, por exemplo,
que receberá uma herança com que não contava, pode ser que essa
revelação desperte nele a cobiça, pela expectativa de aumentar seus prazeres
terrestres, pelo desejo de se apossar de imediato da herança,
desejando, talvez, a morte daquele que lhe deve deixar a fortuna. Ou,
então, essa perspectiva pode despertar-lhe bons sentimentos e pensamentos
generosos. Se a predição não se cumpre, sofrerá uma outra prova:
a decepção. Mas ele não terá, por isso, mérito ou demérito pelos pensamentos
bons ou maus que a expectativa do acontecimento ocasionou.
871 Uma vez que Deus sabe tudo, sabe, igualmente, se um homem
deve fracassar ou não numa prova? Nesse caso, qual é a necessidade
dessa prova, que nada acrescentará ao que Deus já sabe a
respeito desse homem?
– É o mesmo que perguntar por que Deus não criou o homem perfeito
e realizado; (Veja a questão 119.) por que o homem passa pela infância
antes de atingir a idade adulta. (Veja a questão 379.) A prova não tem a
finalidade de esclarecer a Deus sobre o mérito dessa pessoa, visto que
sabe perfeitamente para que a prova lhe serve, mas, sim, para a deixar
com toda a responsabilidade de sua ação, uma vez que é livre para fazer
ou não. Tendo o homem a escolha entre o bem e o mal, a prova tem a
finalidade de colocá-lo em luta com a tentação do mal e lhe deixar todo o
mérito da resistência. Embora saiba muito bem, antecipadamente, se triunfará
ou não, Deus não pode, em Sua justiça, puni-lo nem recompensá-lo
por um ato que ainda não foi praticado. (Veja a questão 258.)
G Assim acontece entre os homens. Por mais capaz que seja um estudante,
qualquer certeza que se tenha de vê-lo triunfar, não se confere a
ele nenhum grau sem exame, ou seja, sem prova; do mesmo modo, o
juiz não condena um acusado senão por um ato consumado e não por
prever que ele possa consumar esse ato.
Quanto mais se examinam as conseqüências que resultariam para
o homem se tivesse o conhecimento do futuro, mais se vê quanto a
Providência foi sábia em ocultá-lo. A certeza de um acontecimento feliz
o mergulharia na inércia; a de um acontecimento infeliz, no desencoraja-
mento; tanto em um quanto em outro, suas forças estariam paralisadas.
Por isso o futuro é apenas mostrado ao homem como um objetivo que
deve atingir por seus esforços, mas sem conhecer o processo pelo qual
deve passar para atingi-lo. O conhecimento de todos os incidentes do
caminho lhe diminuiria a iniciativa e o uso de seu livre-arbítrio; ele se
deixaria levar pela fatalidade dos acontecimentos, sem exercer suas
aptidões. Quando o sucesso de uma coisa é assegurado, ninguém se
preocupa mais com ela.
RESUMO TEÓRICO DA MOTIVAÇÃO DAS
AÇÕES DO HOMEM
872 A questão de ter a vontade livre, isto é, o livre-arbítrio, pode se
resumir assim: a criatura humana não é fatalmente conduzida ao mal; os
atos que pratica não estavam antecipadamente determinados; os crimes
que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, como
prova e expiação, escolher uma existência em que terá a sedução para o
crime, seja pelo meio em que se encontre ou pelos atos em que tomará
parte, mas está constantemente livre para agir ou não. Assim, o livre-arbítrio
existe no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas, e no
estado corporal, na disposição de ceder ou de resistir aos arrastamentos a
que estamos voluntariamente submetidos. Cabe à educação combater essas
más tendências; ela o fará utilmente quando estiver baseada no estudo
aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que
regem essa natureza moral será possível modificá-la, como se modifica a
inteligência pela instrução, e como a higiene, que preserva a saúde e previne
as doenças, modifica o temperamento. O Espírito livre da matéria, no
intervalo das encarnações, faz a escolha de suas existências corporais futuras,
de acordo com o grau de perfeição que atingiu, e nisso, como dissemos,
consiste principalmente o seu livre-arbítrio. Essa liberdade não é anulada
pela encarnação. Se cede à influência da matéria é porque fracassa
nas próprias provas que escolheu, e para ajudá-lo a superá-las pode evocar
a assistência de Deus e dos bons Espíritos. (Veja a questão 337.)
Sem o livre-arbítrio o homem não teria nem culpa na prática do mal,
nem mérito no bem; e isso é igualmente reconhecido no mundo, onde
sempre se faz censura ou elogio à intenção, ou seja, à vontade; portanto,
quem diz vontade diz liberdade. Eis por que o homem não pode justificar
ou desculpar suas faltas atribuindo-as ao seu corpo sem abdicar da razão
e da condição de ser humano para se igualar ao irracional. Se o corpo
humano fosse responsável pela ação para o mal, o seria igualmente na
ação para o bem. Entretanto, quando o homem faz o bem, tem grande
cuidado para evidenciar o fato em seu favor, como mérito seu, e não exalta
ou gratifica seus órgãos. Isso prova que, instintivamente, ele não renuncia,
apesar da opinião de alguns filósofos sistemáticos, ao mais belo dos privilégios
de sua espécie: a liberdade de pensar.
A fatalidade, como se entende geralmente, faz supor que todos os
acontecimentos da vida estão prévia e irrevogavelmente decididos, e estão
na ordem das coisas, seja qual for sua importância. Se assim fosse, o
homem seria uma máquina sem vontade. Para que serviria sua inteligência,
uma vez que em todos os atos seria invariavelmente dominado pelo
poder do destino? Uma doutrina assim, se fosse verdadeira, teria em si a
destruição de toda liberdade moral; não haveria mais responsabilidade
para o homem e, conseqüentemente, nem bem, nem mal, nem crimes,
nem virtudes. Deus, soberanamente justo, não poderia castigar suas criaturas
por faltas que não dependeram delas nem recompensá-las pelas
virtudes das quais não teriam o mérito. Uma lei assim seria, além disso, a
negação da lei do progresso, porque o homem que esperasse tudo do
destino nada tentaria para melhorar sua posição, já que não conseguiria
mudá-la nem para melhor nem para pior.
A fatalidade não é, entretanto, uma idéia vã; ela existe na posição que
o homem ocupa na Terra e nas funções que aí cumpre, por conseqüência
do gênero de existência que seu Espírito escolheu como prova, expiação
ou missão. Ele sofre, fatalmente, todas as alternâncias dessa existência e
todas as tendências, boas ou más, que lhe são próprias; porém, termina aí
a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou não a essas tendências.
O detalhe dos acontecimentos depende das circunstâncias que
ele mesmo provoca por seus atos e sobre as quais os Espíritos podem
influenciar pelos pensamentos que sugerem. (Veja a questão 459.)
A fatalidade está, portanto, para o homem, nos acontecimentos que
se apresentam, uma vez que são a conseqüência da escolha da existência
que o Espírito fez. Pode deixar de ocorrer a fatalidade no resultado dos
acontecimentos, quando o homem, usando de prudência, modifica-lhes o
curso. Nunca há fatalidade nos atos da vida moral.
É na morte que o homem está submetido, de uma maneira absoluta, à
implacável lei da fatalidade, porque não pode escapar da sentença que fixa
o fim de sua existência, nem do gênero de morte que deve interrompê-la.
De acordo com a opinião geral, o homem possuiria todos os seus
instintos em si mesmo; eles procederiam de seu próprio corpo, pelos quais
não poderia ser responsável, ou de sua própria natureza, na qual pode
encontrar uma desculpa, para si mesmo, dizendo que não é sua culpa,
uma vez que foi criado assim.
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