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quarta-feira, 18 de maio de 2011

ESTUDO DE 18/05/11-QUE DEUS NOS ILUMINE

861 O homem que comete um homicídio sabe, ao escolher sua
existência, que se tornará um assassino?
– Não. Sabe que, escolhendo uma determinada espécie de vida,
poderá ter a possibilidade de matar um de seus semelhantes, mas não
sabe se o fará porque há nele, quase sempre, uma decisão antes de
cometer qualquer ação; portanto, aquele que delibera sobre uma coisa é
sempre livre para fazê-la ou não. Se o Espírito soubesse antecipadamente
que, como homem, deveria cometer um assassinato, é porque isso estava
predestinado. Sabei que ninguém foi predestinado ao crime e todo
crime, como todo e qualquer ato, é sempre o resultado da vontade e do
livre-arbítrio.
Além disso, confundis sempre duas coisas bem distintas: os acontecimentos
materiais da vida e os atos da vida moral. Se algumas vezes
existe fatalidade, é nos acontecimentos materiais cuja causa está fora de
vós e são independentes de vossa vontade. Quanto aos atos da vida
moral, esses emanam sempre do próprio homem, que sempre tem, conseqüentemente,
a liberdade de escolha. Para esses atos, nunca existe
fatalidade.
862 Existem pessoas para as quais nada sai bem e que um mau
gênio parece perseguir em todas as suas ações; não está aí o que
podemos chamar de fatalidade?
– É uma fatalidade, se quiserdes chamar assim, mas é decorrente da
escolha que essa pessoa fez para a presente existência, porque há pessoas
que quiseram ser provadas por uma vida de decepção, para exercitar
sua paciência e sua resignação. Não acrediteis, entretanto, que essa fatalidade
seja absoluta; muitas vezes é o resultado do falso caminho que
tomaram e que nada têm a ver com sua inteligência e suas aptidões. Aquele
que deseja atravessar um rio a nado sem saber nadar tem grande probabilidade
de se afogar; assim é com a maioria dos acontecimentos da vida.
Se o homem somente empreendesse coisas compatíveis e de acordo
com suas capacidades, quase sempre teria êxito. O que faz com que se
perca é seu amor-próprio e sua ambição, que o fazem sair de seu caminho
e o induzem a considerar como vocação o desejo de satisfazer certas
paixões. Ele fracassa e é por sua culpa; mas, em vez de admiti-la espontaneamente,
prefere acusar sua estrela. Seria melhor ter sido um bom
trabalhador e ganho honestamente a vida do que ser um mau poeta e
morrer de fome. Haveria lugar para todos, se cada um soubesse se colocar
em seu lugar.
863 Os costumes sociais não obrigam o homem a seguir determinado
caminho em vez de outro, e ele não está submetido ao controle
da opinião geral na escolha de suas ocupações? O que se chama
de respeito humano não é um obstáculo ao exercício do livre-arbítrio?
– São os homens que fazem os costumes sociais e não Deus. Se a
eles se submetem, é porque lhes convêm, e isso é ainda um ato de seu
livre-arbítrio, uma vez que, se quisessem, poderiam libertar-se deles; então,
por que se lamentar? Não são os costumes sociais que devem acusar,
mas seu tolo amor-próprio, que os leva a preferir morrer de fome a abandoná-
lo. Ninguém levará em conta esse sacrifício feito à opinião pública,
enquanto Deus levará em conta o sacrifício que fizerem à sua vaidade.
Isso não quer dizer que seja preciso afrontar essa opinião sem necessida-
de, como fazem algumas pessoas que têm mais originalidade do que verdadeira
filosofia. Há tanto desatino em alguém se fazer objeto de crítica ou
parecer um animal selvagem quanto existe sabedoria em descer voluntariamente
e sem reclamar, quando não se pode permanecer no topo da escala.
864 Existem pessoas para as quais a sorte é contrária, outras
parecem favorecidas, pois tudo lhes sai bem; a que se deve isso?
– Freqüentemente porque elas sabem orientar-se melhor; mas isso
pode ser também um gênero de prova. O sucesso as embriaga; elas confiam
em seu destino e freqüentemente acabam pagando mais tarde esses
mesmos sucessos com cruéis revezes, que poderiam ter evitado com a
prudência.
865 Como explicar a sorte que favorece certas pessoas nas circunstâncias
em que nem a vontade nem a inteligência interferem? O
jogo, por exemplo?
– Alguns Espíritos escolheram antecipadamente certas espécies de
prazer; a sorte que os favorece é uma tentação. Quem ganha como homem
perde como Espírito; é uma prova para seu orgulho e sua cobiça.
866 A fatalidade que parece marcar os destinos materiais de nossa
vida seria, também, o efeito de nosso livre-arbítrio?
– Vós mesmos escolhestes vossa prova; quanto mais for rude e melhor
a suportardes, mais vos elevareis. Aqueles que passam a vida na abundância
e na felicidade humana são Espíritos fracos, que permanecem
estacionários. Assim, o número de desafortunados ultrapassa em muito o
dos felizes neste mundo, já que os Espíritos procuram, na maior parte, a
prova que será mais proveitosa. Eles vêm muito bem a futilidade de vossas
grandezas e prazeres. Aliás, a vida mais feliz é sempre agitada, sempre
inquieta, apesar da ausência da dor. (Veja a questão 525 e seguintes)
867 De onde vem a expressão nascer sob uma boa estrela?
– Velha superstição que ligava as estrelas ao destino de cada
homem. É uma simbologia que algumas pessoas fazem a tolice de levar
a sério.
CONHECIMENTO DO FUTURO
868 O futuro pode ser revelado ao homem?
– Em princípio, o futuro é desconhecido e apenas em casos raros ou
excepcionais Deus permite que seja revelado.
869 Com que objetivo o futuro é oculto ao homem?
– Se conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não agiria com
a mesma liberdade, porque seria dominado pelo pensamento de que, se
uma coisa deve acontecer, não tem por que se preocupar, ou procuraria
dificultar o acontecimento. Deus quis que assim fosse, para que cada um
cooperasse no cumprimento das coisas, até mesmo daquelas a que gostaria
de se opor. Assim, preparais, vós mesmos, freqüentemente sem
desconfiar disso, os acontecimentos que sucederão no curso de vossa
vida.
870 Mas se é útil que o futuro seja oculto, por que Deus permite
algumas vezes sua revelação?
– Permite, quando esse conhecimento prévio deva facilitar o cumprimento
de algo em vez de dificultá-lo, ficando obrigado o homem a agir de
modo diferente do que faria sem esse conhecimento. Além disso, é, freqüentemente,
uma prova. A perspectiva de um acontecimento pode
despertar pensamentos bons ou maus. Se um homem souber, por exemplo,
que receberá uma herança com que não contava, pode ser que essa
revelação desperte nele a cobiça, pela expectativa de aumentar seus prazeres
terrestres, pelo desejo de se apossar de imediato da herança,
desejando, talvez, a morte daquele que lhe deve deixar a fortuna. Ou,
então, essa perspectiva pode despertar-lhe bons sentimentos e pensamentos
generosos. Se a predição não se cumpre, sofrerá uma outra prova:
a decepção. Mas ele não terá, por isso, mérito ou demérito pelos pensamentos
bons ou maus que a expectativa do acontecimento ocasionou.
871 Uma vez que Deus sabe tudo, sabe, igualmente, se um homem
deve fracassar ou não numa prova? Nesse caso, qual é a necessidade
dessa prova, que nada acrescentará ao que Deus já sabe a
respeito desse homem?
– É o mesmo que perguntar por que Deus não criou o homem perfeito
e realizado; (Veja a questão 119.) por que o homem passa pela infância
antes de atingir a idade adulta. (Veja a questão 379.) A prova não tem a
finalidade de esclarecer a Deus sobre o mérito dessa pessoa, visto que
sabe perfeitamente para que a prova lhe serve, mas, sim, para a deixar
com toda a responsabilidade de sua ação, uma vez que é livre para fazer
ou não. Tendo o homem a escolha entre o bem e o mal, a prova tem a
finalidade de colocá-lo em luta com a tentação do mal e lhe deixar todo o
mérito da resistência. Embora saiba muito bem, antecipadamente, se triunfará
ou não, Deus não pode, em Sua justiça, puni-lo nem recompensá-lo
por um ato que ainda não foi praticado. (Veja a questão 258.)
G Assim acontece entre os homens. Por mais capaz que seja um estudante,
qualquer certeza que se tenha de vê-lo triunfar, não se confere a
ele nenhum grau sem exame, ou seja, sem prova; do mesmo modo, o
juiz não condena um acusado senão por um ato consumado e não por
prever que ele possa consumar esse ato.
Quanto mais se examinam as conseqüências que resultariam para
o homem se tivesse o conhecimento do futuro, mais se vê quanto a
Providência foi sábia em ocultá-lo. A certeza de um acontecimento feliz
o mergulharia na inércia; a de um acontecimento infeliz, no desencoraja-
mento; tanto em um quanto em outro, suas forças estariam paralisadas.
Por isso o futuro é apenas mostrado ao homem como um objetivo que
deve atingir por seus esforços, mas sem conhecer o processo pelo qual
deve passar para atingi-lo. O conhecimento de todos os incidentes do
caminho lhe diminuiria a iniciativa e o uso de seu livre-arbítrio; ele se
deixaria levar pela fatalidade dos acontecimentos, sem exercer suas
aptidões. Quando o sucesso de uma coisa é assegurado, ninguém se
preocupa mais com ela.
RESUMO TEÓRICO DA MOTIVAÇÃO DAS
AÇÕES DO HOMEM
872 A questão de ter a vontade livre, isto é, o livre-arbítrio, pode se
resumir assim: a criatura humana não é fatalmente conduzida ao mal; os
atos que pratica não estavam antecipadamente determinados; os crimes
que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, como
prova e expiação, escolher uma existência em que terá a sedução para o
crime, seja pelo meio em que se encontre ou pelos atos em que tomará
parte, mas está constantemente livre para agir ou não. Assim, o livre-arbítrio
existe no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas, e no
estado corporal, na disposição de ceder ou de resistir aos arrastamentos a
que estamos voluntariamente submetidos. Cabe à educação combater essas
más tendências; ela o fará utilmente quando estiver baseada no estudo
aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que
regem essa natureza moral será possível modificá-la, como se modifica a
inteligência pela instrução, e como a higiene, que preserva a saúde e previne
as doenças, modifica o temperamento. O Espírito livre da matéria, no
intervalo das encarnações, faz a escolha de suas existências corporais futuras,
de acordo com o grau de perfeição que atingiu, e nisso, como dissemos,
consiste principalmente o seu livre-arbítrio. Essa liberdade não é anulada
pela encarnação. Se cede à influência da matéria é porque fracassa
nas próprias provas que escolheu, e para ajudá-lo a superá-las pode evocar
a assistência de Deus e dos bons Espíritos. (Veja a questão 337.)
Sem o livre-arbítrio o homem não teria nem culpa na prática do mal,
nem mérito no bem; e isso é igualmente reconhecido no mundo, onde
sempre se faz censura ou elogio à intenção, ou seja, à vontade; portanto,
quem diz vontade diz liberdade. Eis por que o homem não pode justificar
ou desculpar suas faltas atribuindo-as ao seu corpo sem abdicar da razão
e da condição de ser humano para se igualar ao irracional. Se o corpo
humano fosse responsável pela ação para o mal, o seria igualmente na
ação para o bem. Entretanto, quando o homem faz o bem, tem grande
cuidado para evidenciar o fato em seu favor, como mérito seu, e não exalta
ou gratifica seus órgãos. Isso prova que, instintivamente, ele não renuncia
apesar da opinião de alguns filósofos sistemáticos, ao mais belo dos privilégios
de sua espécie: a liberdade de pensar.
A fatalidade, como se entende geralmente, faz supor que todos os
acontecimentos da vida estão prévia e irrevogavelmente decididos, e estão
na ordem das coisas, seja qual for sua importância. Se assim fosse, o
homem seria uma máquina sem vontade. Para que serviria sua inteligência,
uma vez que em todos os atos seria invariavelmente dominado pelo
poder do destino? Uma doutrina assim, se fosse verdadeira, teria em si a
destruição de toda liberdade moral; não haveria mais responsabilidade
para o homem e, conseqüentemente, nem bem, nem mal, nem crimes,
nem virtudes. Deus, soberanamente justo, não poderia castigar suas criaturas
por faltas que não dependeram delas nem recompensá-las pelas
virtudes das quais não teriam o mérito. Uma lei assim seria, além disso, a
negação da lei do progresso, porque o homem que esperasse tudo do
destino nada tentaria para melhorar sua posição, já que não conseguiria
mudá-la nem para melhor nem para pior.
A fatalidade não é, entretanto, uma idéia vã; ela existe na posição que
o homem ocupa na Terra e nas funções que aí cumpre, por conseqüência
do gênero de existência que seu Espírito escolheu como prova, expiação
ou missão. Ele sofre, fatalmente, todas as alternâncias dessa existência e
todas as tendências, boas ou más, que lhe são próprias; porém, termina aí
a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou não a essas tendências.
O detalhe dos acontecimentos depende das circunstâncias que
ele mesmo provoca por seus atos e sobre as quais os Espíritos podem
influenciar pelos pensamentos que sugerem. (Veja a questão 459.)
A fatalidade está, portanto, para o homem, nos acontecimentos que
se apresentam, uma vez que são a conseqüência da escolha da existência
que o Espírito fez. Pode deixar de ocorrer a fatalidade no resultado dos
acontecimentos, quando o homem, usando de prudência, modifica-lhes o
curso. Nunca há fatalidade nos atos da vida moral.
É na morte que o homem está submetido, de uma maneira absoluta, à
implacável lei da fatalidade, porque não pode escapar da sentença que fixa
o fim de sua existência, nem do gênero de morte que deve interrompê-la.
De acordo com a opinião geral, o homem possuiria todos os seus
instintos em si mesmo; eles procederiam de seu próprio corpo, pelos quais
não poderia ser responsável, ou de sua própria natureza, na qual pode
encontrar uma desculpa, para si mesmo, dizendo que não é sua culpa,
uma vez que foi criado assim.

Um comentário:

  1. Pessoas com problemas, as vezes se perguntam porque eu? Deus sabe o quanto as pessoas podem aguentar e sabe que os problemas, depois de resolvidos, elevam o espírito de tal forma que os mesmos entendem rapidamente, o porque aconteceu, tornando-se seres humanos melhores. A TERRA É UMA ESCOLA e como tal passamos por provas as quais Deus nos aprova ou não. Segundo nossa mestra, Dna. Ligia, devemos agir com prudência pois, só assim poderemos raciocinar melhor. Comentou também sobre a leveza do espírito no orar; sobre o vento morno que sentimos nos momentos em que nos dirigimos à Deus.

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